SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A Corregedoria da Polícia Militar prendeu na tarde desta segunda-feira (3) soldado Bruno Carvalho do Prado, 36, réu pela morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, 22, em novembro de 2024. Prado não foi o autor do disparo, mas deu um chute no jovem segundos antes do tiro.
A prisão foi decretada pela juíza Luiza Torggler Silva, da 4ª Vara do Júri. No sábado (1º), o desembargador Euvaldo Chaib negou um pedido de habeas corpus solicitado pela defesa.
A magistrada afirma que Prado, no curso da ação penal e enquanto submetido às medidas cautelares fixadas pela Justiça, teria se envolvido em uma ocorrência de ameaça e lesão corporal contra a sua mulher, no contexto de violência doméstica e familiar, que está em apuração.
Por mensagem, o advogado João Carlos Campanini, que defende os dois policiais militares, disse que “trata-se de meia informação enviada pela assistência da acusação aos autos visando vingança, não justiça”.
“Essa suposta acusação de violência doméstica já foi arquivada e nem chegou a ter medida protetiva da Lei Maria da Penha. Já informamos ao juízo a mentira dos assistentes e pedimos a imediata revogação da prisão. Estamos aguardando decisão”, acrescentou.
“Com efeito, o crime narrado na denúncia é considerado de extrema gravidade, de sorte que a custódia é imprescindível para o resguardo da ordem pública”, escreve na decisão.
Conforme boletim de ocorrência, Prado estava na sede do Comando de Policiamento de Área Metropolitana 2, no Campo Belo, zona sul. Ele afirmou para dois PMs da Corregedoria que tinha conhecimento do mandado de prisão e não ofereceu resistência.
Após a comunicação de praxe no 27º DP (Campo Belo), ele foi encaminhado para o Presídio Romão Gomes, na zona norte.
O autor do disparo, o PM Guilherme Augusto Macedo, responde ao processo em liberdade. Documento da PM recomenda a expulsão dele. O relatório passa por análise do Comando Geral da Polícia Militar.
RELEMBRE O CASO
O estudante e os dois policiais se cruzaram na madrugada de 20 de novembro de 2024. Ele caminhava pela avenida Conselheiro Rodrigues Alves em direção à hospedaria onde estava uma jovem com quem mantinha relacionamento.
Macedo e Prado, que estavam em uma viatura, pararam Marco Aurélio, que deu um tapa no retrovisor. Macedo, então, desceu e passou a persegui-lo. O estudante correu para o hotel. Lá, encurralado em um portão, levou um tiro na barriga disparado pelo soldado.
Marco Aurélio foi levado para o Hospital Ipiranga, na zona sul, a cerca de 6 quilômetros de distância, mesmo tendo sido baleado em uma rua com uma unidade médica e diversas outras nas proximidades. O Hospital Ipiranga, conforme relatos posteriores, não tinha recursos para receber o estudante naquele momento. A emergência estava superlotada e o aparelho de tomografia, inoperante.











