Magreza de Ariana Grande gera debate sobre transtorno alimentar

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Magreza de Ariana Grande gera debate sobre transtorno alimentar

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VITOR HUGO BATISTA
FOLHAPRESS

A cantora e atriz Ariana Grande, 33, foi alvo de uma série de comentários sobre sua magreza após a publicação do novo clipe “Petal”, na última sexta-feira (31). A artista não confirmou ter qualquer tipo de transtorno alimentar, mas as imagens geraram discussões sobre o tema.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, transtornos alimentares não são identificáveis apenas pela aparência ou uma magreza extrema. Uma pessoa pode ter um peso considerado adequado para sua altura e, ainda assim, apresentar sofrimento intenso relacionado à comida e à própria imagem corporal.

Nesses casos, em vez de cobrar mudanças nos hábitos alimentares, psicólogos recomendam evitar comentários sobre peso e aparência e abordar a pessoa a partir da preocupação com seu bem-estar.

“Em que momento alguém vai intervir para ajudar? Ela está definhando”, postou um usuário sobre o vídeo da cantora.

“Queremos você saudável, e não parecendo que um vento mais forte vai te levar pelos ares”, postou um outro usuário do YouTube.

Depois do escrutínio nas redes, um representante da artista disse à revista People que ela deve entrar em recesso após o fim de sua atual turnê, “Eternal Sunshine”, que tem o último show marcado para 1º de setembro, em Londres. Segundo a People, em reportagem deste domingo (2), a decisão é motivada pelo julgamento do público em relação à aparência da cantora e ao seu corpo.

“Acho que a primeira coisa que a gente precisa desconstruir é a ideia que o transtorno alimentar tem cara”, afirma a psicóloga Cláudia Melo, especialista em vícios e transtornos.

Segundo Melo, muitos dos sinais aparecem no comportamento, como preocupação excessiva com calorias e peso, restrição alimentar, eliminação de grupos de alimentos, exercícios em excesso e afastamento de situações sociais que envolvam comida.

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A psicóloga Mariana Ramos, professora de psicologia da Afya Itaperuna, diz que sinais como isolamento social, irritabilidade, insatisfação constante com o próprio corpo e pensamentos recorrentes sobre comida e aparência também podem aparecer.

“A pessoa pode começar a evitar restaurantes, festas e até encontros familiares por medo de perder o controle da alimentação e sentir uma culpa intensa depois de comer determinados alimentos. Também pode desenvolver rituais rígidos durante as refeições ou eliminar grupos alimentares sem indicação médica”, afirma.

Isoladamente, esses comportamentos não significam necessariamente a existência de um transtorno, mas “quando esses sinais são persistentes, recorrentes e intensos, a ponto de interferirem na rotina, nas relações sociais e no bem-estar emocional, tornam-se motivo de atenção”, diz Ramos.

Para familiares e amigos, a maneira de abordar a pessoa pode fazer diferença. As especialistas recomendam evitar com eçar a conversa pela aparência ou pelo peso.

Na perspectiva de Melo, frases como “você está muito magra” ou “você precisa comer” podem provocar vergonha e fazer com que a pessoa se feche.

Em vez disso, ela sugere mencionar mudanças concretas percebidas no cotidiano, como o afastamento de festas ou a dificuldade para se alimentar na presença de outras pessoas. A ideia é demonstrar preocupação sem transformar a conversa em uma cobrança.

“É importante deixar claro para essa pessoa que você a conhecia antes desse adoecimento e que percebe como ela está agora. Essa comparação entre o antes e o depois pode fazê-la se sentir mais segura, porque ela percebe que há alguém que cuida dela, que a conhece de verdade e que está ali para ouvi-la.

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Talvez, a partir dessa conversa, ela se sinta mais à vontade para falar sobre o que está acontecendo”, diz Melo.

Ramos concorda que é importante evitar críticas, uma vez que essa pessoa já pode ter uma autocrítica exacerbada em relação a si mesma e à própria imagem, além de um sentimento de culpa internalizada.

No lugar, ela recomenda demonstrar preocupação com o sofrimento e oferecer ajuda.

“Por exemplo, dizer ‘tenho percebido que você parece estar sofrendo e queria saber como posso te ajuda’. Uma conversa acolhedora, disponível, com tranquilidade, pode ser o passo para que essa pessoa aceite e busque ajuda”, diz.

O tratamento costuma envolver mais de uma área. Transtornos alimentares exigem, de forma geral, acompanhamento multiprofissional, que pode incluir psicólogo, psiquiatra, nutricionista e médicos responsáveis pela avaliação e pelo acompanhamento de possíveis complicações clínicas. A composição da equipe depende das necessidades de cada paciente.

A família, segundo as especialistas, também pode precisar de orientação para compreender o transtorno e saber como agir diante dele. O objetivo não é fiscalizar o que a pessoa come, mas criar um ambiente de apoio e reduzir julgamentos.

“Em alguns casos, incluímos a família no tratamento, já que o ambiente familiar também pode contribuir para o sofrimento da pessoa. Às vezes, precisamos lembrar que não se trata de vaidade, falta de disciplina ou uma escolha. Estamos falando de um transtorno”, diz Melo.

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