GUILHERME BOTACINI E ISABELLA MENON
FOLHAPRESS
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou em entrevista com o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, que vai incluir o Brasil no Escudo das Américas, iniciativa de cooperação de segurança liderada por Donald Trump com aliados na América Latina.
A conversa entre os dois foi publicada nesta quarta-feira (7) pelo perfil do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, três dias após Flávio ir ao segundo turno à frente de Lula (PT). Em dado momento, o senador fala que “se Deus quiser, teremos maioria no Congresso brasileiro”, o que sugere que a reunião foi realizada antes do pleito.
“Eu vou com muita vontade e muita honra querer fazer parte também do Escudo das Américas, para fazer uma cooperação com a Colômbia e com outros os demais países que queiram se unir para combater essas facções narcoterroristas”, afirmou o senador.
“[Traficantes] estão muito preocupados com a minha eleição e têm que ficar mesmo, porque vou implementar um regime muito duro aqui no Brasil e vou precisar muito conversar com o senhor para termos esse intercâmbio de informações: quando um criminosos da Colômbia estiver no Brasil será um grande prazer para mim como Presidente da República prendê-lo e entregá-lo ao senhor, assim como eu quero que o senhor entregue os bandidos brasileiros”, disse.
A proposta já é tratada como certa por aliados próximos de Flávio, como seu irmão Eduardo, próximo do governo Trump. Procurado, o Departamento de Estado afirma apenas que essa é uma decisão do governo brasileiro. A campanha do senador tem se referido à possibilidade apenas como desejo e afirmado que Eduardo e outros aliados não falam por Flávio.
Às margens da Assembleia Geral da ONU, em setembro, o grupo de países do continente que fazem parte da iniciativa se reuniram com Trump em Nova York e assinaram uma nota conjunta em que se comprometem a declarar grupos criminosos, incluindo os brasileiros PCC e CV, como terroristas.
Os países que assinam a declaração são Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. O Brasil foi pego de surpreso pelo comunicado.
Em seu discurso durante a reunião em Nova York, o republicano fez clara menção ao fato de que os participantes do Escudo das Américas são seus aliados e se beneficiaram eleitoralmente de seu apoio.
“Apoiei alguns de vocês, e conquistamos grandes vitórias eleitorais” disse ele. “Acho que meu placar é de nove vitórias em nove disputas: todos que apoiei venceram. Estamos vencendo muito. Estou com vocês até o fim e farei tudo o que estiver ao meu alcance.”
Na conversa com Espriella, Flávio também reforçou que vai declarar as facções criminosas brasileiras como grupos terroristas. O governo Trump já as considera como tal.









