Raquel Lyra (PSD) derrota João Campos (PSB) e é reeleita em Pernambuco

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Raquel Lyra (PSD) derrota João Campos (PSB) e é reeleita em Pernambuco

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JORGE COSME
RECIFE, PE (FOLHAPRESS)

A governadora Raquel Lyra (PSD), 47, derrotou o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), 32, neste domingo (4) e foi reeleita para comandar o Executivo de Pernambuco pelos próximos quatro anos.

Com 96% das urnas apuradas, Lyra tinha 53,21% dos votos válidos, enquanto João Campos marcava 44,84%, sem chances de levar a disputa para o segundo turno. O resultado foi confirmado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) .

Raquel Lyra é a primeira mulher governadora de Pernambuco, feito alcançado em 2022. Ela é formada em direito pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Foi delegada da Polícia Federal e chefe da Procuradoria de Apoio Jurídico e Legislativo do Governo de Pernambuco.

Lyra também foi eleita duas vezes deputada estadual pelo PSB, em 2010 e 2014. Ainda foi secretária da Criança e da Juventude entre 2011 e 2012 durante o governo de Eduardo Campos, pai de João Campos. O pai dela, João Lyra Neto, era o vice-governador na época.

Em 2016, pelo PSDB, se tornou a primeira mulher eleita para a Prefeitura de Caruaru, no Agreste, reeleita em 2020.

A governadora é de uma família com tradição na política local e nacional. O pai dela, além de ex-governador de Pernambuco, foi ex-prefeito de Caruaru. Lyra é neta do também ex-prefeito de Caruaru João Lyra Filho e sobrinha do ex-ministro da Justiça e ex-deputado federal Fernando Lyra.

A vice-governadora na chapa de Raquel Lyra é Priscila Krause (PSD), jornalista e filha de Gustavo Krause, ex-governador e ex-prefeito do Recife. Priscila foi vereadora do Recife por três mandatos consecutivos, além de deputada estadual.

Na noite deste domingo, após a projeção do Datafolha ser noticiada, integrantes do comitê de reeleição da governadora comemoraram entoando o jingle oficial da campanha, pulando e gritando o refrão “A mulher disparou”.

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Nenhum dos dois principais candidatos havia se pronunciado sobre o resultado até por volta das 20h20.

Nas redes sociais, ambos afirmaram ter recebido denúncias de irregularidades eleitorais da campanha adversária.

A disputa entre Raquel Lyra e João Campos no primeiro turno foi marcada por troca de acusações e judicializações.

No final de agosto, circularam imagens de cartazes apócrifos com acusações falsas associando Raquel Lyra à morte do marido, o empresário Fernando Lucena. As duas coligações acionaram a polícia.

Em outro episódio, militantes das duas candidaturas brigaram em frente a um local de debate em Caruaru, no agreste, em 17 de setembro. As coligações lamentaram o caso, que resultou em duas mulheres detidas.

Também em setembro, repercutiu uma fala de 2025 de Lyra em que sugeria que uma mulher fosse submetida a procedimento de laqueadura sem conhecimento prévio. Após a repercussão, a governadora se desculpou.

O eleitorado feminino passou a ser um dos principais focos das duas campanhas na reta final.

Na última semana, Lyra voltou o foco da campanha para o tema das bets, principalmente após Lula (PT) assinar uma medida provisória proibindo as apostas online. Ela usou como munição uma medida de João Campos enquanto era prefeito do Recife que reduziu a alíquota para as casas de apostas.

O ex-prefeito diz ser pessoalmente contra as bets e que a medida se adequava à legislação.

A atual governadora, que tem grande apoio do eleitorado bolsonarista e de partidos como Podemos e Novo, não anunciou voto para presidente. Em caminhadas e comícios, ela teceu elogios a Lula, mas os acenos não eram reproduzidos nas redes sociais da candidata à reeleição.

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Do outro lado, João Campos deu bastante ênfase à aliança com Lula. O logotipo exibido no guia eleitoral do candidato, por exemplo, trazia a imagem do petista ao lado dele.

O presidente esteve no Recife em 25 de setembro e discursou com o ex-prefeito. As chances de Lula visitar a capital pernambucana antes do primeiro turno eram consideradas mínimas, mas a avaliação do entorno era de que ele devia um gesto ao pessebista.

Ao longo da campanha, João Campos apresentou propostas como isenção do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) para motocicletas de até 180 cilindradas, ampliação e funcionamento ininterrupto de delegacias da mulher e construção de quatro novos hospitais.

Já Raquel Lyra se dedicou a propor continuidade de ações iniciadas no primeiro governo, como o avanço de obras viárias, entrega de novas creches, fortalecimento das forças policiais e reestruturação da rede estadual de saúde.

O candidato Ivan Moraes (PSOL) apareceu na disputa como alternativa à esquerda de João Campos. Ao longo da campanha, defendeu uma união dos três candidatos para eleger Lula, alegando que seria uma tarefa do campo democrático contra o fascismo.

Ele também tinha entre suas bandeiras o transporte público gratuito, produção de remédios à base da cannabis, ampliação da reciclagem e da compostagem dos resíduos sólidos e política permanente de apoio à cultura popular. Com mais da metade das urnas apuradas, Moraes tinha 1,88% dos votos.

Também disputaram o governo de Pernambuco o contador Renan Lucio Sant’Anna Hallais (Novo), 36; o técnico em telecomunicações Guilherme Fonseca (PSTU), 69; a historiadora Maria Camila da Silva Falcão (UP), 37; e o jornalista Victor Assis da Silva (PCO), 31. Todos ficaram com menos de 1% dos votos.

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