BRUNO LUCCA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A USP (Universidade de São Paulo) fará um investimento de R$ 50 milhões no Hospital Universitário, após uma sequência de problemas de infraestrutura e de reclamações sobre as condições de funcionamento da unidade.
O aporte, segundo a reitora, será destinado à reforma completa da Unidade de Urgência e Emergência Referenciada. Segundo a instituição, as obras incluem a modernização da estrutura física, renovação de instalações, aquisição de equipamentos e adequações para ampliar a capacidade de atendimento da unidade.
Embora a USP não relacione oficialmente o investimento aos episódios recentes, o anúncio ocorre após uma série de ocorrências que evidenciaram fragilidades na infraestrutura do hospital.
No início deste ano, um temporal alagou a unidade semi-intensiva do HU. A Adusp (Associação dos Docentes da USP) divulgou imagens mostrando a entrada de água em áreas de atendimento e afirmou que problemas semelhantes já haviam ocorrido anteriormente. À época, trabalhadores atribuíram a ocorrência à falta de manutenção da estrutura do prédio.
No último dia 24, o rompimento de uma tubulação que abastecia a Cidade Universitária interrompeu o fornecimento de água ao hospital. A falta de abastecimento afetou o funcionamento da unidade e levou à suspensão e reorganização de atendimentos.
Os casos ocorreram após uma sucessão de denúncias feitas por trabalhadores e entidades representativas.
Em março de 2023, servidores, estudantes e moradores da região realizaram um ato em frente ao HU para denunciar o que classificaram como um “estado de calamidade” do hospital. Entre os problemas apontados estavam falhas na infraestrutura, déficit de pessoal, queda no número de leitos e atendimentos, interrupções no fornecimento de energia, falta de água quente e goteiras e enxurradas provocadas por chuvas.
Na ocasião, entidades relataram ainda que o sistema elétrico do hospital havia entrado em colapso por falta de manutenção, exigindo o funcionamento por meio de geradores. Segundo a Adusp, o defeito no sistema de climatização do centro cirúrgico levou ao cancelamento de cirurgias e ao fechamento temporário do pronto-socorro.
Pouco mais de um mês depois, em abril de 2023, um novo temporal voltou a alagar dependências do hospital, incluindo a unidade semi-intensiva.
A escalada de problemas no HU, porém, não é recente. Em 2016, quando a unidade enfrentou uma onda de demissões, estudantes e profissionais já denunciavam a piora nas condições do local e pediam por mais recursos.
A USP afirma que a reforma da Unidade de Urgência e Emergência Referenciada faz parte de uma estratégia de modernização do Hospital Universitário e de fortalecimento da assistência prestada à população pelo SUS (Sistema Único de Saúde), além de ampliar as condições de ensino e pesquisa desenvolvidas por lá.
“O projeto responde a uma necessidade construída ao longo de décadas. Inaugurado em 1981, o hospital demanda investimento contínuo em sua infraestrutura, em razão do envelhecimento natural de suas instalações e da evolução das exigências técnicas, sanitárias e assistenciais”, declarou.











