Os camponeses estão receosos na região de mata da Colômbia onde o governo pretende realizar pulverizações aéreas com um herbicida contestado sobre plantações destinadas à produção de drogas, afirmou o governador regional nesta quinta-feira (1º).
O presidente Abelardo de la Espriella promove uma política de linha dura para combater o tráfico de drogas na Colômbia, o maior produtor de cocaína do mundo.
No mês passado, um juiz ordenou a suspensão temporária do plano piloto de aplicação aérea de herbicidas sobre cultivos relacionados ao narcotráfico na região amazônica de Putumayo (sul), mas o mandatário de direita contestou a medida e assegurou que “a pulverização vai acontecer”.
O anúncio “gerou apreensão e medo na população, especialmente entre os camponeses”, por seus “efeitos sobre a saúde no passado”, declarou o governador John Molina à Caracol Radio.
“Muitas mães grávidas perderam seus filhos; [sofremos] contaminações das fontes hídricas, da fauna, da flora e dos cultivos lícitos”, afirmou.
O herbicida previsto é o glufosinato de amônio, considerado moderadamente perigoso para a saúde pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A Colômbia suspendeu em 2015 as pulverizações aéreas realizadas com glifosato, outro composto questionado por seus impactos na saúde e nos ecossistemas.
A região de Putumayo, fronteiriça com o Equador, tem a atuação de grupos armados ilegais que se financiam com o narcotráfico e o garimpo ilegal.
Segundo o governador, na região há mais de 40 mil hectares de plantações de folha de coca, base da cocaína, e cerca de 22 mil famílias dependem da renda gerada por estes cultivos.
Os camponeses “estão dispostos a erradicar manualmente” os cultivos ilícitos em troca de “investimento governamental”, disse Molina, que mantém conversas com o governo sobre alternativas às pulverizações.
A erradicação manual implica horas de trabalho, muitas vezes com exposição a ataques de grupos armados.
De la Espriella declarou guerra aos grupos criminosos do narcotráfico na Colômbia, uma política respaldada pelos Estados Unidos, destino de grande parte da droga produzida no país sul-americano.
AFP








