Lula promete proteção ambiental ao defender petróleo na Foz do Amazonas

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Lula promete proteção ambiental ao defender petróleo na Foz do Amazonas

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ALÉXIA SOUSA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu nesta segunda-feira (17) cuidado ambiental ao defender a exploração de petróleo na costa do Amapá.

Durante visita ao navio-sonda da Petrobras que perfura o poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, Lula chamou de “chique” o petróleo encontrado e disse que a descoberta pode representar uma nova fonte de riqueza para o país.

“Vamos continuar cuidando do meio ambiente, 87% deste estado [do Amapá] é reserva e 90% deste território está com floresta praticamente intocada. Eu sujei a mão com o pré-sal e agora com este, este parecia que já estava refinado”, afirmou.

Lula classificou a descoberta como “passaporte para o futuro”, em referência ao discurso usado por governos petistas na descoberta do pré-sal. Mas disse que isso não significa abandonar a defesa da transição energética. “E, quando falo isso, não estou negando a minha luta para que um dia a gente não precise utilizar combustível.”

A exploração da Margem Equatorial, porém, ainda enfrenta questionamentos ambientais. O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) não autorizou a perfuração de outros três poços que a Petrobras pretende abrir na região, que inclui os blocos Manga, Crotalus e PAD Morpho, e pediu informações complementares à estatal.

A Petrobras considera os novos poços necessários para avaliar o potencial da área e verificar se a descoberta tem viabilidade comercial. A presidente da empresa, Magda Chambriard, afirmou que ainda não é possível estimar quanto petróleo existe no local.

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“Tem petróleo e descoberta, a gente ainda não sabe quanto, mas estamos extremamente otimistas com o que estamos encontrando aqui”, disse.

Segundo Magda, a perfuração do Morpho deve ser concluída nos próximos 15 a 20 dias. A Petrobras prevê ainda três poços na área e outros cinco em regiões adjacentes para dimensionar o potencial da reserva.

O licenciamento do Morpho foi marcado por controvérsias. A licença para a exploração foi concedida pelo Ibama em outubro de 2025, depois de pressão do governo federal e de políticos do Amapá. Em janeiro deste ano, um vazamento de fluido interrompeu a prospecção por cerca de um mês. A Petrobras foi multada em R$ 2,5 milhões pelo órgão ambiental, e as atividades foram retomadas em fevereiro.

Para o cálculo da compensação ambiental, o Ibama classificou em 0,5%, o grau máximo previsto, o impacto do empreendimento pela magnitude da atividade e pelos riscos à biodiversidade e a áreas ainda pouco conhecidas.

A região também reúne ambientes sensíveis, como manguezais, e territórios onde vivem cerca de 12 mil indígenas de quatro etnias, que dependem dos recursos naturais para atividades como pesca, caça e agricultura.

Ao defender a exploração, Lula voltou a tratar o petróleo como uma questão de soberania nacional e afirmou que o Brasil não deve abrir mão de suas reservas enquanto houver demanda mundial por combustíveis fósseis.

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“Isso aqui significa soberania nacional. Um país que tem um petróleo dessa qualidade não vai permitir que ninguém meta o dedo nele”, disse.

O presidente também afirmou que contrariou pressões para evitar o anúncio da licença antes da COP30, realizada em Belém no ano passado. Segundo Lula, havia preocupação de que países europeus reagissem negativamente à decisão.

“Quando aconteceu a COP no ano passado, muita gente queria que eu não declarasse que tinha conquistado a licença, diziam que os europeus iam ficar chateados”, disse. Segundo Lula, ele decidiu manter a defesa da pesquisa porque estavam em jogo os interesses do país e da Petrobras.

A exploração da região, porém, mantém o dilema entre a expansão da produção de petróleo e os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil. Lula tem defendido a redução do uso de combustíveis fósseis, mas o governo também considera necessário ampliar reservas para garantir a oferta de petróleo nas próximas décadas.

A Petrobras estima que o pré-sal, responsável atualmente por cerca de 80% da produção brasileira, atinja o pico entre 2034 e 2035. A estatal argumenta que será necessário encontrar novas reservas para evitar queda na produção do país.

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