Incêndio ameaça região produtora de vinho e força evacuação de 325 mil pessoas na França e na Espanha

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Incêndio ameaça região produtora de vinho e força evacuação de 325 mil pessoas na França e na Espanha

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Carole Suhas, Diego Urdaneta e Natalia Sanguino
Bordeaux (França) e Madri | AFP

Incêndios florestais de grandes proporções consumiram dezenas de milhares de hectares e forçaram a evacuação de 325 mil pessoas na França e na Espanha, com as chamas nos arredores de Bordeaux.

Os incêndios ameaçam a metrópole de Bordeaux, coração da região vinícola de Gironde, e provocaram o fechamento de uma importante rodovia e a interrupção parcial do serviço ferroviário.

Segundo o prefeito Thomas Cazenave, o fogo está a “15 km” da cidade. Embora a evacuação de seus 270 mil habitantes não seja considerada no momento, “estamos preparados para tudo”, afirmou.

Nos portos da cidade, uma fumaça alaranjada escureceu o céu ao amanhecer deste domingo (26), com um forte cheiro de queimado nas ruas.

Em Le Porge, entre Bordeaux e a zona turística de Cap Ferret, imagens aéreas da AFP mostraram um cenário de desolação, com filas de casas queimadas e veículos carbonizados. O local é um dos destinos de verão mais procurados da região oeste da França.

“Não sobrou nada. Tudo queimou”, lamentou Mathieu Plessis no sábado (25), ao voltar a esse vilarejo. “Aquilo era a minha casa. Não vejo nada, só desolação”, disse à AFP.

As florestas pegam fogo com mais facilidade porque a vegetação e o solo estão muito secos há meses, um fenômeno agravado pelas ondas de calor excepcionais de junho e julho. A mudança climática, causada principalmente pela queima contínua de petróleo, carvão e gás, piora a seca atual, concluíram climatologistas do grupo World Weather Attribution em um estudo publicado na quinta-feira (23).

‘Será ainda pior’

Mais de 50 mil pessoas tiveram que deixar suas casas perto de Bordeaux, elevando o número total de evacuados para mais de 220 mil apenas por causa deste incêndio, que afetou 42 mil hectares, anunciaram as autoridades neste domingo.

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Aurore Vigreux, uma advogada de 38 anos, refugiou-se na casa do ex-marido com a filha e vários animais: um cachorro, dois coelhos e um gato.

“Não é que eu esteja com medo, estou consternada ao ver que o fogo avança e não há nada que nos dê esperança. Ainda há ventos, estão prevendo uma onda de calor para a próxima semana, então será ainda pior”, disse ela à AFP.

Milhares de bombeiros exaustos, auxiliados por 1.500 soldados e 1.200 policiais, combatem as colunas de fogo que devoram quase tudo em seu caminho.

“A situação continua muito desfavorável”, declarou o ministro do Interior, Laurent Nuñez, neste domingo.

“É um incêndio sem sentido, não tem direção. É muito difícil de prever”, disse Guillaume Millet, do Corpo de Bombeiros de Gironde, à AFP.

Agricultores locais também se voluntariaram para ajudar os bombeiros.

“Viemos dar uma mão porque, se fosse na nossa região, gostaríamos que outros fizessem o mesmo. E, dada a dimensão do desastre, achamos que nossos esforços também são muito bem-vindos”, disse o agricultor Pascal Roudier, de 65 anos.

Até agora, em julho, as temperaturas máximas na região da Aquitânia registraram uma média de 32,2 graus Celsius, o que representa 7,3 ºC acima da média das máximas para o mês no período de 1961 a 1990, segundo dados do Reuters Climate Monitor.

Além desse incêndio de grandes proporções, os bombeiros franceses também combatem outros focos de incêndio há dias nas regiões de Landes (sudoeste), Var (sudeste) e na ilha turística da Córsega.

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‘Pânico’
Na Espanha, os bombeiros também enfrentam dificuldades para controlar vários incêndios nos arredores de Madri e em Valência, no leste do país, onde uma pessoa morreu em um incêndio menor.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, alertou que “horas complexas” estão por vir, mas considerou a noite “muito positiva”. O governo declarou emergência nacional.

A fumaça cobriu Madri no sábado (25) e ainda obscurecia as montanhas ao redor de San Martín de Valdeiglesias, a oeste, no domingo (26), conforme observou um repórter da AFP.

Vários incêndios em Madri e nas províncias vizinhas de Toledo e Ávila ameaçavam se fundir em um incêndio de grandes proporções ao redor da capital, forçando a evacuação de cerca de 60 mil pessoas.

“Todos tiveram que sair da cidade rapidamente porque a situação era muito crítica”, disse à AFP Olga Congacha, moradora do município de Robledo de Chavela, que foi evacuada na sexta-feira (24).

“Fiquei muito nervosa, em pânico, sem saber se chorava”, explicou a mulher de 50 anos, que conseguiu voltar brevemente à sua casa coberta de cinzas neste domingo para buscar medicamentos.

Apesar do otimismo cauteloso de Sánchez, a situação é “uma grande emergência”, alertou a secretária geral da Proteção Civil, Virginia Barcones, à emissora pública TVE. Os incêndios em Madri e arredores têm “um perímetro de 77 mil hectares e 280 quilômetros, um monstro que todo o país está combatendo com unhas e dentes”, afirmou.

Além disso, um novo incêndio está queimando na província valenciana de Castellón, o que já obrigou a evacuação de pelo menos 15 mil pessoas.

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