Governo vê recurso à OMC contra tarifas dos EUA como medida simbólica e de pressão diplomática

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Governo vê recurso à OMC contra tarifas dos EUA como medida simbólica e de pressão diplomática

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Integrantes da equipe diplomática do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que um eventual recurso do Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos teria, neste momento, um caráter essencialmente simbólico. Segundo interlocutores do governo, a iniciativa serviria para registrar formalmente a posição brasileira e aumentar a pressão diplomática sobre Washington, embora as chances de uma solução prática pela entidade sejam consideradas reduzidas.

A estratégia ganhou força após o governo de Donald Trump anunciar um novo pacote de tarifas de 12,5% sobre produtos brasileiros, que se soma à alíquota de 25% aplicada anteriormente. A Casa Branca justifica as medidas alegando práticas comerciais consideradas desleais e falhas do Brasil na fiscalização de produtos fabricados com trabalho forçado. Em resposta, o Palácio do Planalto classificou as sanções como arbitrárias e injustificadas e informou que iniciará os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade, além de levar o caso à OMC.

Criada em 1995 para regular o comércio internacional e solucionar disputas entre países, a OMC perdeu parte de sua capacidade de atuação desde 2019, quando o Órgão de Apelação ficou paralisado após o bloqueio à nomeação de novos juízes durante o primeiro mandato de Donald Trump. Diante desse cenário, diplomatas brasileiros reconhecem que um recurso dificilmente produziria efeitos concretos no curto prazo, mas afirmam que a medida reforçaria a posição do Brasil perante a comunidade internacional.

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Enquanto o governo avalia os próximos passos, entidades empresariais têm defendido uma saída negociada para o impasse. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) manifestaram preocupação com o impacto das tarifas sobre as exportações brasileiras, mas afirmaram ser contrárias à adoção de medidas de reciprocidade. As entidades sustentam que o fortalecimento do diálogo entre os dois países é o caminho mais adequado para evitar uma escalada das tensões comerciais e reduzir os prejuízos para empresas, trabalhadores e consumidores.

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