Dólar tem leve alta e atinge R$ 5,17 em pregão de liquidez reduzida

dolar-tem-leve-alta-e-atinge-r$-5,17-em-pregao-de-liquidez-reduzida
Dólar tem leve alta e atinge R$ 5,17 em pregão de liquidez reduzida

publicidade

São Paulo, 29 – Com trocas de sinal e oscilações modestas ao longo da tarde, o dólar ganhou certo fôlego na reta final dos negócios e encerrou esta segunda-feira, 29, em leve alta, na casa de R$ 5,17. Operadores ressaltam que a sessão foi marcada por liquidez reduzida, em razão do jogo do Brasil contra o Japão na Copa do Mundo no período da tarde, e por questões técnicas ligadas à rolagem de contratos de virada do mês e à disputa, na terça-feira, pela formação da última taxa Ptax de junho.

O real tropeçou apesar do sinal predominante de baixa da moeda americana no exterior, em aparente ajuste após a valorização nas últimas semanas, na esteira da expectativa de alta de juros nos EUA. A agenda doméstica, com deflação do IGP-M em junho e pesquisa eleitoral mostrando diminuição da distância entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi monitorada, mas não teve impacto relevante na formação da taxa de câmbio.

Depois de oscilar entre mínima de R$ 5,1553 e máxima de R$ 5,1859, o dólar à vista terminou em alta de 0,13%, a R$ 5,1743. A moeda norte-americana avança 2,61% frente ao real em junho, após valorização de 1,82% no mês passado. No ano, as perdas, que chegaram a superar dois dígitos no início de maio, quando a taxa de câmbio rondava R$ 4,90, agora são de 5,73%.

O head da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento, prevê taxa de câmbio oscilando entre R$ 5,10 e R$ 5,20 no curto prazo, com investidores de olho, sobretudo, em indicadores econômicos nos EUA e eventuais ruídos políticos domésticos. Ele ressalta que houve uma retração do apetite por ativos após o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) adotar um tom mais duro em relação à inflação, o que tirou fôlego da moeda brasileira.

“As expectativas passaram a incorporar, no mínimo, a manutenção dos juros americanos até o fim de 2026, em contraste com o cenário predominante até março, quando o mercado projetava aproximadamente 75 pontos-base de cortes pelo Fed”, afirma Chiumento, acrescentando que há também uma dinâmica de aumento de prêmios de risco nos ativos locais, dada a piora da perspectiva fiscal.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY recuava pouco mais de 0,20% por volta das 17 horas, aos 101,100 pontos, depois de mínima aos 101,071 pontos. Apesar do escorregão nesta segunda, o Dollar Index ainda sobe mais de 2% em julho e tem alta superior a 2,80% no ano. As taxas dos Treasuries praticamente não se mexeram, com o yield do papel de 2 anos rondando 4,10%. As atenções ao longo da semana estão voltadas a dados do mercado de trabalho nos EUA, em especial o relatório de empregos (payroll) de junho.

Depois do tombo de quase 10% na semana passada, as cotações do petróleo avançaram em meio a informações desencontradas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã e dúvidas sobre o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz. O contrato do Brent para setembro, referência de preços para a Petrobras, fechou em alta de 1,80%, a US$ 73,91 o barril.

O economista Robin Brooks, do Brookings Institute, observa que a alta do DXY desde o encontro de política monetária do Fed no último dia 17 não é um sinal inequívoco de tendência de dólar forte daqui para frente. Ele pondera que não há sinais de descontrole na inflação subjacente nos EUA que justifiquem um aperto monetário.

Leia Também:  Daniel Vilela vistoria estrutura que vai atender romeiros 24 horas na GO-060

“Faz muito tempo que não vejo o mercado tão otimista quanto ao dólar. Muito desse otimismo, na minha opinião, é construído sobre areia, porque o Fed não foi tão duro como todo mundo parece pensar”, afirma Brooks, em relatório, ressaltando que o tombo recente do petróleo vai trazer a inflação para baixo nos próximos meses. “Não é um ambiente em que o Fed deva subir os juros. Estamos atualmente no pico do fortalecimento do dólar.”

Bolsa

O Ibovespa oscilou numa faixa limitada, de menos de dois mil pontos entre a máxima e a mínima, nesta segunda-feira, 29, de liquidez reduzida. Apesar da alta de mais de 1% de Bradesco e Santander, a queda do setor de mineração e siderurgia e a perda de fôlego da Petrobras levaram o índice a fechar em leve baixa. O petróleo reduziu os ganhos no pregão eletrônico após o presidente norte-americano, Donald Trump, dizer que os EUA estão prontos para um encontro em Doha, no Catar, para dar andamento as negociações com o Irã.

Ainda assim, o dia foi marcado por informações desencontradas sobre a continuidade das negociações entre ambos os países, depois de escalada militar registrada no fim de semana, e por uma recuperação do setor de tecnologia e inteligência artificial (IA) em Wall Street – o que limita a entrada de fluxo estrangeiro para o Brasil.

Com giro financeiro de R$ 13,92 bilhões, o Ibovespa fechou em queda de 0,05%, aos 173.205,35 pontos, após mínima aos 172 392,54 pontos (-0,52%) e máxima aos 173.891,53 pontos (+0,34%) pela manhã. No mês, cede 0,33% e no ano, avança 7,50%.

O head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, destaca que a Bolsa brasileira está muito dependente de fluxo estrangeiro e que, diante de incerteza global grande – com escalada do conflito no Oriente Médio no fim de semana -, nem mesmo o otimismo das Bolsas de Nova York (Nasdaq subiu 2%) é suficiente para dar tração para o Ibovespa.

“Há uma retomada dos aportes de investidores estrangeiros para tecnologia, e ausência de catalisador aqui”, resume Bertotti.

Na análise micro, o estrategista notou ainda que as ações de grandes bancos, em sua maioria, subiram por serem consideradas mais defensivas, com fundamentos positivos, mas as de mineração e siderurgia recuaram, com destaque para CSN (-1,90%) entre as maiores quedas do índice.

“Em dia de jogo do Brasil, os operadores domésticos tendem a ficar mais ausentes e sem tomar grandes posições”, afirma o estrategista de ações da Nomos, Max Bohm, justificando a oscilação contida do Ibovespa e o giro financeiro reduzido hoje, quando houve a disputa da seleção brasileira contra o Japão entre às 14 horas e às 16 horas, aproximadamente.

O sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, nota que, apesar de os juros futuros terem recuado após pesquisa eleitoral apontar empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno, o cenário político indefinido, na prática, faz com que ainda não haja uma tendência definida para a Bolsa brasileira.

No período da tarde, o Ibovespa chegou a buscar recuperação e se aproximou da máxima pela manhã com a alta mais acentuada das ações da Petrobras, na esteira dos ganhos do petróleo.

Contudo, após Trump dizer que está pronto para dar andamento às negociações com o Irã em Doha, no Catar, – ainda que tenha minimizado a relevância da reunião – a commodity perdeu força, o que respingou nas ações da estatal. Por fim, Petrobras fechou em leve alta de 0,14% (ON) e 0,21% (PN).

Leia Também:  Wolverine aparece sem freio em novo gameplay e confirma aposta brutal da Insomniac

Juros

Os juros futuros fecharam a sessão desta segunda-feira em baixa, esticando a sequência de alívio nos prêmios de risco pela sexta sessão consecutiva, considerando os principais contratos, apoiado no quadro externo relativamente tranquilo e em uma agenda doméstica que alimentou as apostas de continuidade dos cortes da Selic. A queda das taxas foi firme pela manhã, perdendo fôlego à tarde, em razão da partida entre Brasil e Japão pela Copa do Mundo de Futebol, em um ambiente de liquidez fraca.

No fechamento, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 tinha taxa de 14,035%, de 14,059% no ajuste na sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2028 caía de 14,159% para 14,100%. O DI para janeiro de 2029 encerrou com taxa de 14,190%, de 14,235%, e a do DI para janeiro de 2031 caiu de 14,339% para 14,265%.

Diante da mobilização em torno do jogo da seleção brasileira, o movimento no mercado de juros se deu basicamente na primeira etapa, com as taxas recuando mesmo com o petróleo em alta.

O avanço da commodity foi visto como uma correção após o tombo da semana passada, puxada por narrativas divergentes dos governos dos Estados Unidos e Irã sobre o ritmo das negociações para o acordo de paz definitivo. Porém, as versões conflitantes não chegaram a abalar a confiança do mercado, que se apegou a sinais de normalização gradual do tráfego no Estreito de Ormuz.

O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, ponderando que a sessão desta segunda-feira pareceu uma “grande emenda de feriado”, afirmou que o fechamento da curva não teve gatilhos muito definidos, diante de um giro escasso, mas vê os prêmios ainda “dilatados”, considerando a perspectiva de distensão monetária pelo Banco Central.

“A curva está ao redor de 14,5%, o que é absolutamente incongruente com ciclo de afrouxamento de juros. As taxas têm de continuar fechando com a consolidação do preço do petróleo num patamar mais baixo. Os agentes vão começar a incorporar um ciclo mais contínuo de corte, fazendo com que a curva feche”, prevê o economista, lembrando que a decisão do Copom foi tomada com o petróleo a US$ 90 e atualmente o barril está em torno de US$ 73

Internamente, o Boletim Focus mostrou acomodação das medianas de inflação e Selic, estancando parte das sucessivas pioras vistas nas últimas semanas. A expectativa suavizada para o IPCA em 12 meses manteve-se em 4,14%. Para 2026, permaneceu em 5,33%, mas a de 2027 subiu de 4,15% para 4,17%. A de 2028, horizonte para o qual o Banco Central já está olhando, seguiu em 3,70%. Para a Selic, as medianas para 2026 e 2027 continuaram em 14,00% e 12,00%.

Já o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de junho caiu 0,50%, devolvendo parte da alta de 0,84% em maio. A deflação foi maior do que apontava a mediana das estimativas captadas na pesquisa Projeções Broadcast (-0,46%).

O economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, avaliou o alívio das taxas como uma continuidade da trajetória da última semana, baseada na visão de reversão do choque do petróleo, no IPCA-15 de junho melhor que o esperado e na comunicação do Banco Central, que deixou espaço para voltar a reduzir a Selic. “Com o resultado relativamente bom da deflação IGP-M, é natural que o mercado devolva prêmio na curva curta. Tudo bem que é sazonal, tem impacto de commodities, tem combustíveis, mas, pelo menos, não piorou a situação”, disse.

Estadão Conteúdo

Compartilhe essa Notícia

publicidade

Expresão Local
Resumo sobre Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você acha mais interessantes e úteis.

Saiba mais lendo nossa Política de Privacidade