Dólar sobe e Bolsa cai com juros no radar e reação negativa a reajuste do Bolsa Família

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Dólar sobe e Bolsa cai com juros no radar e reação negativa a reajuste do Bolsa Família

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JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS

O dólar opera perto da estabilidade nesta quinta-feira (17), com investidores repercutindo as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos . Às 12h38, a moeda norte-americana registrava leve alta de 0,01%, a R$ 5,153.

O Ibovespa também registrava alta. No mesmo horário, o principal índice da Bolsa brasileira avançava 0,37%, aos 186.242 pontos.

Os mercados também acompanham as preocupações com o cenário fiscal após o anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de um reajuste de 15,04% no Bolsa Família. O aumento foi anunciado a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais.

Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, afirma que o reajuste pode ter impacto negativo por dois motivos: o efeito sobre a demanda e o momento do anúncio. “O reajuste de 15% do Bolsa Família não é pouca coisa. Isso vai ter um efeito sobre a demanda, sem dúvidas”, diz.

Segundo ele, embora o governo argumente que o aumento corrige a inflação acumulada, o reajuste deveria ocorrer de forma anual e programada.

Perri também aponta o calendário de pagamentos como um fator relevante. Segundo ele, como os depósitos do Bolsa Família são feitos nos últimos dez dias do mês, o período coincidirá com o segundo turno das eleições.

“Sem dúvidas, temos um impacto fiscal. O governo vai ter que ajustar o orçamento para o ano que vem. E isso já mexe com os mercados”, afirma.

A alta da Bolsa de hoje é impulsionada principalmente pela Vale, que, às 12h46, registrava valorização de 1,91%, cotada a R$ 74,40.

Os investidores locais e globais também acompanham os efeitos das decisões de política monetária anunciadas na chamada superquarta, segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. Ela afirma que o tom mais duro e restritivo do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) contrasta com a continuidade do ciclo de cortes da Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária), no Brasil.

Na véspera (16), o comitê brasileiro decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo e a última reunião do colegiado antes das eleições presidenciais .

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O Banco Central, porém, evitou dar indicações sobre os próximos passos da política monetária, diante de fatores que podem influenciar a inflação, como o El Niño e choques nos preços do petróleo.

Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos, afirma que, apesar do corte de 0,25 ponto percentual na Selic, o cenário para os próximos passos da taxa de juros ficou mais imprevisível, principalmente após a alta dos juros nos EUA.

“Quanto mais aumentam os juros nos Estados Unidos, menos espaço a gente tem para cortar aqui no Brasil, pensando no diferencial de taxa, que é benéfico para o nosso câmbio”, diz o especialista.
Nos Estados Unidos, o Fed elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão, também tomada por unanimidade, com 12 votos a zero, marcou a primeira alta desde julho de 2023 e já era esperada pelo mercado.

Apesar das decisões de juros e do cenário político incerto, o ambiente internacional amanheceu relativamente mais favorável aos ativos de risco, segundo Rebecca. Ela afirma que o recuo global do dólar, a queda nos rendimentos dos títulos públicos americanos (Treasuries) e a baixa nos preços do petróleo ajudam a aliviar a pressão sobre os mercados emergentes.

Às 13h01, o DXY, índice que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de moedas fortes, estava estável. Os rendimentos dos Treasuries de dez anos recuavam 1,63%, enquanto os dos títulos de 30 anos caíam 1,26%.

“Essa combinação costuma aliviar a pressão sobre os mercados emergentes, ajudando a dar fôlego para a bolsa brasileira e para o câmbio logo na abertura dos negócios”, diz.

Às 13h02, o barril do petróleo Brent era cotado a US$ 103, com queda de 2,22%.

A baixa está relacionada à diminuição dos ataques entre os houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, e forças militares da Arábia Saudita, além de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o fim do conflito com o Irã está próximo.

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No cenário doméstico, investidores também acompanham a repercussão da nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, que mostra empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual disputa de segundo turno.

Flávio aparece com 47,2% das intenções de voto, ante 46,8% de Lula. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. No levantamento anterior, o senador tinha 46,4%, e Lula, 46,2%.

Nas últimas semanas, o fortalecimento da candidatura de Flávio tem favorecido o chamado “trade eleitoral”. Esse movimento reflete a percepção de parte do mercado de que sua candidatura poderia trazer maior atenção à questão fiscal.

Em Wall Street, as bolsas abrira em alta, com investidores acompanhando especialmente a decisão do Fed. Às 13h03, o Dow Jones tinha avanço de 0,73%, o S&P 500 registrava alta de 1,10% e o Nasdaq avançava 1,61%.

Para Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, mais do que a decisão em si, amplamente precificada pelo mercado, chamaram a atenção as projeções do comitê e o tom de Kevin Warsh durante a coletiva.

“Tivemos uma melhora nas projeções de PIB e de taxa de desemprego, mas as projeções de inflação pioraram: o comitê agora enxerga 3,7% para 2026, ante 3,6% na projeção de junho, que já havia sido um salto expressivo em relação aos 2,7% projetados pelo Fed em março”, diz a especialista.

No Brasil, os juros futuros abriram em leve queda nos vencimentos mais curtos e em leve alta nos mais longos. Às 13h06, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,645%, com queda de 0,03 ponto percentual. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,255%, com alta de 0,01 ponto percentual.

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