O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, anunciou nesta quarta-feira (30) que reduziu em 20% o número de generais e almirantes nas Forças Armadas, como parte de um programa para “prestar contas”.
Hegseth sugeriu que os cortes atingiram oficiais que não aderiram a seus esforços para garantir que as Forças Armadas se concentrem na guerra, e não nas políticas progressistas (“woke”) de governos anteriores.
“A imprensa chama isso de expurgo. Eu chamo de prestação de contas, e já estava na hora”, declarou em um discurso na base militar de Quantico, nos arredores de Washington.
O discurso, dirigido a oficiais subalternos e praças, ocorreu um ano depois de uma fala semelhante diante de altos comandantes. Na ocasião, Hegseth afirmou que as Forças Armadas americanas estavam gordas demais, excessivamente voltadas a ideias de esquerda “woke” e precisavam de uma profunda mudança.
Nesta quarta-feira, ele disse que os altos comandantes que “responderam positivamente” ao discurso anterior “estão à frente de unidades com um novo foco, com autonomia e disciplina”, enquanto os que não fizeram isso “já não trabalham aqui”.
“Tradução simples disso: nem gordos, nem trans, nem barbudos, nem esquisitos, nem fracos, nem radicais. Só guerreiros, só tropas aguerridas, prontas e comprometidas”, declarou.
O governo anterior, do democrata Joe Biden, nomeou pessoas transgênero para vários cargos de alto escalão, como a almirante Rachel Levine, que assumiu como subsecretária de Saúde, e a comandante Shawn Kelly, que chegou ao cargo de vice-secretária de Defesa.
Durante sua audiência de confirmação, em janeiro de 2025, Hegseth sustentou que a burocracia do Pentágono tinha uma cúpula excessivamente grande e precisava de cortes.
Desde que voltou ao poder, no início do ano passado, Trump supervisionou um expurgo de altos comandantes militares, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Charles “CQ” Brown, demitido sem explicação em fevereiro de 2025.
Outros oficiais de alta patente afastados incluem os chefes do Exército, da Marinha e da Guarda Costeira americanos, o general que dirigia a Agência de Segurança Nacional, o vice-chefe do Estado-Maior da Força Aérea, um almirante da Marinha designado para a Otan e três dos principais assessores jurídicos militares.
O chefe do Estado-Maior da Força Aérea também anunciou sua aposentadoria sem explicação apenas dois anos após iniciar um mandato de quatro anos. Já o comandante do Comando Sul dos Estados Unidos se aposentou um ano depois de assumir o cargo.
Hegseth insiste que o presidente está apenas escolhendo os líderes que deseja, mas parlamentares democratas expressaram preocupação com uma possível politização das tradicionalmente neutras Forças Armadas americanas.
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