BC vê pacotes de crédito do governo como risco de alta para a inflação

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BC vê pacotes de crédito do governo como risco de alta para a inflação

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Brasília, 25 – A cúpula do Banco Central explicitou, no Relatório de Política Monetária (RPM) do 2.º trimestre, que passou a considerar as ações fiscais e de crédito anunciadas recentemente pelo governo em pleno ano eleitoral como um risco de alta para a inflação, pelo seu potencial de estimular a demanda agregada.

“Essas medidas, de caráter fiscal ou de crédito, passam a ser consideradas no cenário de referência apenas quando recentemente aprovadas. Mas, mesmo nesse caso, permanecem incertezas relevantes acerca da magnitude de seu impacto sobre a atividade econômica e a inflação, dadas as especificidades e detalhes envolvendo cada política”, diz o texto.

Na ata da sua reunião de junho, publicada na terça-feira passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC afirmou que passou a considerar seu balanço de riscos para a inflação assimétrico para cima – ou seja, que há mais chances de o IPCA superar do que ficar abaixo da trajetória do cenário de referência.

A principal novidade do balanço havia sido um quarto risco altista: “Estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária”. Até agora, o BC não havia explicitado que essa preocupação tinha a ver com os programas do governo, anunciados a poucos meses das eleições.

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O BC explicou que, embora a incerteza sobre o impacto de políticas fiscais e de crédito seja comum, a relevância das dúvidas é “exacerbada” devido ao grande conjunto de ações.

EM ALTA

O BC aumentou sua estimativa para a probabilidade de a inflação ficar acima do teto da meta (de 4,5%) em 2026, de 30% para 79%. Já a probabilidade de o IPCA ficar abaixo do piso (de 1,5%) agora é nula, ante 2% no relatório anterior, divulgado em março

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, apurada com base no IPCA acumulado em 12 meses. Se o resultado ficar acima ou abaixo do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo. O centro da meta continua em 3%, com uma margem de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.

O alvo foi descumprido pela primeira vez em julho do ano passado, quando o IBGE informou que o IPCA fechou junho com alta de 5,35% em 12 meses – acima do teto da meta, pelo sexto mês consecutivo.

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No mesmo dia, o Banco Central publicou uma carta aberta ao então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informando que esperava que a inflação acumulada em 12 meses caísse abaixo do teto da meta no fim do primeiro trimestre de 2026.

EFEITO ELEITORAL

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, negou qualquer possibilidade de influência das eleições nas decisões do Copom, uma vez que os efeitos de qualquer mudança na taxa Selic só vão ser sentidos no futuro.

“Para qualquer um que está no mercado, não cola”, disse ele, em entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária. “Se você entende como funcionam as defasagens da política monetária, não tem cabimento falar que qualquer decisão hoje possa ter qualquer efeito na economia com impacto na eleição.”

Segundo Galípolo, qualquer ilação do tipo mostra “desconhecimento” sobre o funcionamento da política monetária, que atua em horizontes mais longos. “Imaginar que uma decisão agora, em especial de 25 pontos-base (corte de 0,25 ponto porcentual), com a taxa de juros restritiva do jeito que está.. “, disse o presidente do BC.

Estadão Conteúdo

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