Conselheiro de Lula diz que CV e PCC são problema, não pretexto para intervenção dos EUA

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Conselheiro de Lula diz que CV e PCC são problema, não pretexto para intervenção dos EUA

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ISADORA ALBERNAZ
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, afirmou que as facções criminosas devem ser combatidas, mas criticou a decisão dos Estados Unidos de classificarem o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas.

Em nota, o ex-chanceler disse que pretextos para intervenção estrangeira no Brasil são aceitáveis.

“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção, é inaceitável”, afirmou o conseglheiro do governo Lula.

A medida foi anunciada pelos EUA nesta quinta-feira (28) após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, ao presidente Donald Trump e outros membros do gabinete americano, como Marco Rubio, do Departamento do Estado, e JD Vance, vice-presidente dos EUA.

Pelas redes sociais, Rubio afirmou que as organizações criminosas “são as mais perigosas do Brasil”. “Seu alcance se estende por toda a nossa região e ao nosso país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas.”

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O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, também criticou a decisão e questionou: “Será que os EUA também vão classificar como terrorista a milícia do Rio de Janeiro ligada aos Bolsonaro?”

ENTENDA O IMPACTO

A partir da designação, é criminalizado qualquer tipo de apoio, bloqueio de recursos e isolamento destas organizações. De acordo com o departamento, integrantes destas organizações não podem entrar nos EUA e podem ser expulsos se já estiverem no país.

Além disso, bancos americanos com contas destes membros devem bloquear fundos ligados ao grupo e reportar ao governo. O Brasil, porém, discorda da denominação, uma vez que no território brasileiro a designação de terrorismo é aplicada para atos violentos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito para provocar terror social generalizado.

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