Mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições deste domingo (4/10). A abstenção chegou a 21,08% do eleitorado, atingindo o índice mais alto em uma disputa presidencial desde 1998.
O total de faltosos superou amplamente a diferença na votação entre os dois concorrentes que avançaram para a etapa final. Flávio Bolsonaro (PL) terminou a rodada com 47% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 45%, uma distância de pouco mais de 2,3 milhões de votos.
Com isso, o contingente de eleitores ausentes foi cerca de 14 vezes maior do que a vantagem obtida pelo candidato do PL sobre o petista. A definição da presidência da República ocorrerá no segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro.
Os dados consolidados superam a taxa do pleito de 2022, quando 20,95% do eleitorado, ou 32,7 milhões de pessoas, não foram votar no primeiro turno. Na série histórica, o não comparecimento vem em alta contínua desde 2006, quando ficou em 16,8%, passando por 18,2% em 2010, 19,4% em 2014 e 20,33% em 2018. O patamar atual só fica atrás do registrado em 1998, ano da reeleição de Fernando Henrique Cardoso com 21,49% de ausência.
Além do crescimento das abstenções, a soma de votos em branco e nulos também subiu, alcançando 4,77% dos sufrágios para a Presidência, contra 4,25% contabilizados quatro anos antes.
Regionalmente, os maiores índices de falta ocorreram em Mato Grosso do Sul (23,87%), Rio de Janeiro (23,32%), Minas Gerais (22,79%) e São Paulo (22,54%). Já as menores taxas de ausência foram apuradas no Ceará (15,52%), em Roraima (17,12%), no Piauí (17,16%) e em Sergipe (17,30%).
O perfil da abstenção aponta variações marcantes por faixa de idade e escolaridade, segundo dados da Quaest citados pelo diretor Felipe Nunes. Entre os cidadãos de 55 a 59 anos, a ausência ficou próxima a 11%, mas saltou para aproximadamente 39% no grupo de 70 a 74 anos. Mulheres com ensino fundamental e mais de 70 anos registraram os maiores índices de recusa ao voto, grupo ao qual Lula apelou na reta final pedindo participação “nem que fosse pelos seus netos”.









