JOÃO PEDRO PITOMBO
SALVADOR, BA (FOLHAPRESS)
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) derrotou, pela segunda vez, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e será governador da Bahia pelos próximos quatro anos.
Com 94,28% das urnas apuradas, Jerônimo tinha 55,19% dos votos válidos, enquanto ACM aparecia com 44,32%.
Jerônimo, 61, é agrônomo, professor e ascendeu dentro da burocracia dos governos petistas. Foi secretário estadual de Desenvolvimento Agrário e de Educação no governo Rui Costa (PT).
Eleito governador em 2022, fez uma gestão marcada por crises na segurança pública, com o avanço do domínio de facções em territórios do estado. Conseguiu reduzir os indicadores de mortes violentas, mas o estado se manteve com o maior número absoluto de assassinatos do país.
Ampliou a rede de saúde do estado com novos hospitais, mas foi alvo de críticas por deficiências na fila da regulação, sistema que distribui os casos graves pelos leitos das unidades de saúde. Também teve como marca a expansão da rede de escolas em tempo integral.
Jerônimo disputou a eleição tendo os ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner (PT) como candidatos ao Senado e repetiu a dobradinha de 2022 com Geraldo Júnior (MDB) como vice.
A vitória reafirma a força do PT no estado, que vai governar pela sexta vez consecutiva o quarto maior colégio eleitoral do país.
A sucessão na Bahia repetiu o embate de 2022 entre Jerônimo e ACM Neto. Desta vez, contudo, a disputa teve novos ingredientes, como uma chapa puro-sangue petista, formada pelo governador e dois ex-governadores, e uma oposição unificada no estado.
Assim como em 2022, o PT tentou nacionalizar a disputa em busca de um voto casado em Jerônimo e no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O partido também atuou para travar a expansão dos eleitores que apoiam o petista para a Presidência e ACM Neto para o governo. Essa combinação de votos ganhou tração a partir das redes sociais, onde circularam conteúdos como jingles e esquetes de humor com a defesa explícita do “voto LuNeto”.
Na última terça-feira (29), em Salvador, Lula ampliou os ataques ao adversário na Bahia, chamando-o de mentiroso e de “jóquei de cabrito”, em uma referência à baixa estatura do candidato.
Na campanha, ACM Neto evitou atacar Lula e mirou suas críticas no governador. Nacionalmente, declarou apoio a Ronaldo Caiado (PSD), mas sem pedir votos para o aliado. O PL fez parte da sua chapa e indicou João Roma, ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL), como candidato ao Senado.
Nas últimas semanas, investigações sobre o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro entraram na campanha eleitoral do estado, consolidando um novo campo de batalha na disputa entre o governador e o ex-prefeito de Salvador.
O escândalo colocou sob pressão os dois grupos, com questionamentos a ACM Neto sobre sua relação com o Master e cobranças ao governador sobre o senador Jaques Wagner e seu enteado, Eduardo Sodré, ambos investigados pela Polícia Federal.
O ex-prefeito também está no radar da Operação Overclean. A PF pediu buscas contra ACM Neto na nova fase da operação, que apura suspeitas de direcionamento de licitações na Prefeitura de Belo Horizonte entre 2024 e 2025, mas o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques, relator da apuração, negou a solicitação.
ACM Neto, 47, é empresário, foi deputado federal entre 2003 e 2012, quando foi eleito para a prefeitura de Salvador. Cumpriu oito anos de mandato e foi sucedido em 2021 pelo atual prefeito Bruno Reis (União Brasil), agora em sua segunda gestão.
Sua chapa teve o ex-prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), como vice, além do ex-ministro João Roma e do senador Angelo Coronel (Republicanos) como candidatos ao Senado. Coronel era aliado do PT, mas rompeu com o partido após divergências na formação da chapa.
ACM Neto não ocupa cargos eletivos desde que deixou a prefeitura, mas se manteve ativo como dirigente do União Brasil, chegando à vice-presidência nacional do partido.
A disputa eleitoral na Bahia repetiu um quadro de polarização entre grupos que se enfrentam desde 1998. O carlismo comandou o estado entre 1991 e 2006 e se reinventou com ACM Neto. O PT, por sua vez, mantém uma hegemonia no estado desde 2007.
Ao fim do novo mandato de Jerônimo, em 2030, o PT terá o maior período ininterrupto de um único partido à frente de um governo estadual desde a redemocratização.








