CATARINA SCORTECCI
CURITIBA, PR (FOLHAPRESS)
O senador e candidato a governador do Paraná Sergio Moro (PL) afirmou durante sabatina da Folha/UOL nesta sexta-feira (7) que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, “já pagou pelos erros do passado”, ao justificar sua aliança com o dirigente partidário.
Condenado no âmbito do escândalo do mensalão, Valdemar era no passado um dos políticos criticados por Moro, que tem defendido a agenda anticorrupção como prioridade. “Os erros que ele cometeu no passado ele já pagou, inclusive cumpriu sua pena naquele período. E ele evidentemente se encontra em outra situação no momento.”
Durante a sabatina, o senador também afirmou que fará um “choque de gestão” na Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná). “Não existe nenhuma decisão tomada da privatização da Sanepar. Mas queremos sim um choque de gestão. Tirar todos aqueles apadrinhados políticos, que geram ineficiência na companhia, para bem atender ao cidadão paranaense.”
A entrevista teve duração de 50 minutos e foi conduzida pela jornalista Fabíola Cidral (UOL), com participação dos jornalistas Leonardo Sakamoto (UOL) e Bruno Ribeiro (Folha).
Ainda por causa da sua filiação ao PL, Moro foi questionado sobre a alegada interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal, o que teria justificado sua saída do Ministério da Justiça, em 2020. Ele afirma que não retira o que falou no passado sobre Bolsonaro, mas diz que se reaproximou do ex-mandatário em 2022 com o objetivo de derrotar o PT e acrescenta que agora é “o momento de olhar o presente e o futuro e o meu projeto para o Paraná”.
Questionado se acredita que Flávio Bolsonaro (PL) também tentará interferir na PF, caso eleito presidente, Moro se esquivou. “Isso é fazer prognóstico sobre um futuro que ainda não realizou”, respondeu.
Moro disse que pretende criar uma agência estadual anticorrupção independente no Paraná. Acrescentou que no estado “dará ampla autonomia às forças de segurança”.
Sobre o escândalo do Banco Master, e se ele estava satisfeito com as justificativas dadas por Flávio Bolsonaro no caso, Moro respondeu que o aliado “apresentou as explicações, foi ordenada investigação, vamos aguardar os desdobramentos”.
“Aqui a gente tem um sujeito, um banqueiro extravagante, dado a fazer aquelas festas suntuosas, que subornou meia República. E todos os fatos têm que ser investigados”, afirmou. “E quero destacar que a oposição ao governo Lula sempre se posicionou a favor das investigações.”
Moro afirmou que concorda com o fim da possibilidade de reeleição para a Presidência, mas não para governador. “No estado, em oito anos dá para fazer muito mais do que em quatro anos, e projetos dependem de continuidade. No nível nacional, de presidente, os males que a falta de alternância de poder tem gerado justificam o fim da reeleição.”
Sobre privatizar a Sanepar, Moro disse que é preciso dar “um choque de eficiência no estado, cortar burocracias, cargos”.
“Depois de fazer isso é que nós podemos pensar eventualmente nesta questão [da privatização]. Eu não tenho nenhum preconceito em relação a privatizações. Tenho uma visão pragmática”, acrescentou ele, aproveitando para apontar os problemas com a Copel (Companhia Paranaense de Energia).
Sobre propostas para o transporte público do estado, Moro afirmou que vai trabalhar com prefeituras para manter tarifas baixas e pensar em novas formas para agilizar o deslocamento dos moradores.
Questionado sobre o atual valor da tarifa do ônibus metropolitano, o senador não soube responder.
Depois justificou que o jornalista não havia informado sobre a qual região metropolitana se referia, se de Curitiba, de Londrina ou de Maringá, por exemplo.
Na área de educação, Moro também defendeu a ampliação do ensino integral e, sem dar detalhes, afirmou que “estuda modelos para restaurar a disciplina e o respeito ao professor dentro de sala de aula”.
“Eu tenho ouvido muito a reclamação, não só no Paraná, mas no país inteiro. É um risco para o professor, que às vezes tem medo de ir para a escola e sofrer agressão moral ou física, mas também acaba impactando o aprendizado do aluno em sala de aula.”
Hoje senador pelo Paraná, Moro, 54, se tornou nacionalmente conhecido pela atuação como juiz federal à frente dos processos da Operação Lava Jato, deflagrada em 2014. A condução da investigação por procuradores da República no Paraná e decisões de Moro nas ações penais foram depois contestadas e parte da operação anulada.
Ele deixou a magistratura no final de 2018 para assumir a pasta da Justiça sob o governo de Jair Bolsonaro (PL). Deixou a função em abril de 2020, alegando que o então presidente tentava interferir na autonomia da Polícia Federal.
No ano seguinte, se filiou ao Podemos, ensaiando uma candidatura à Presidência da República. Pouco tempo depois avaliou que não tinha estrutura partidária suficiente para a disputa e migrou para o União Brasil. Em 2022, já filiado na nova sigla, não teve espaço para se lançar ao Planalto e acabou optando pelo Senado, sendo eleito.
Pesquisa Quaest divulgada no último dia 27 mostrou Moro com 39% em cenário de primeiro turno, seguido de Requião Filho, com 18%. Rafael Greca (MDB) registra 12%, enquanto Sandro Alex (PSD), candidato do atual governador, pontua com 7%.
Greca, contudo, não é mais candidato a governador -ele entrou na chapa encabeçada pelo PSD como candidato a vice.
Moro também conseguiu o apoio do Novo, do Podemos e do DC (Democracia Cristã) para o pleito de outubro próximo. Seu candidato a vice-governador é Edson Vasconcelos, presidente licenciado da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná).










