LUÍSA MARTINS
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a abertura de um terceiro inquérito contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), para apurar suspeitas de tráfico de influência.
A decisão atende a pedido feito pela PF (Polícia Federal). Dino também autorizou uma investigação sobre vazamentos ilegais de dados sigilosos, um pleito que havia sido feito à corporação pela própria defesa de Lulinha.
As duas investigações anteriores contra Lulinha, que também envolvem suspeitas de tráfico de influência, estão sob responsabilidade do ministro André Mendonça. Os processos tramitam em sigilo na corte.
Assim como as duas primeiras, a terceira investigação também envolve a suspeita de atuação da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, em favor de uma empresa junto a um órgão público, segundo fontes a par do caso e ouvidas reservadamente pela reportagem.
Procurada pela reportagem, a defesa de Lulinha não respondeu especificamente sobre a terceira solicitação de inquérito, mas anteriormente negou irregularidades e sugeriu haver interesse político por trás das investigações.
Lula afirmou na semana passada que seu filho não terá privilégios e precisará provar sua inocência no processo.
“Quando eu vejo essas barbaridades faladas contra o meu filho… se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Eu jamais pedirei para um delegado ou pra um juiz não fazer as coisas corretas”, disse. “Ele vai ter que provar que é inocente como eu provei, vai ter que provar. E se for culpado, vai ter que pagar o que todo mundo paga quando erra”, completou.
A primeira investigação autorizada por Mendonça diz respeito a uma suposta atuação de Lulinha junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência, na tentativa de obter aval para a comercialização de cannabis medicinal.
Lulinha tem atuação no ramo da cannabis junto a Roberta Luchsinger e ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. O pedido da PF cita contatos entre os alvos e servidores, inclusive do gabinete de Lula.
O Ministério da Saúde afirmou que nunca teve contrato com a empresa de importação de cannabis ligada ao Careca do INSS, a World Cannabis. “Dessa maneira, nunca fez nenhum repasse de recursos públicos a eles.”
Já no segundo inquérito, a PF busca entender se ele agiu junto à Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência), vinculada ao Ministério da Gestão e Inovação, para beneficiar um empresário e prospectar contratos.
O relatório da PF cita que o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio de uma empresa chamada 3STRUCTURE IT, teria bancado ao menos uma viagem de Lulinha em troca de receber favores no governo.
Os advogados de Lulinha disseram que a investigação era uma “pesca probatória” e que ele não atuou em benefício de ninguém no governo.
A Dataprev afirmou não ter nenhum contrato com a 3STRUCTURE IT e disse que “pauta sua atuação pela transparência e pela colaboração com os órgãos de fiscalização, controle e investigação”. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Cleber.










