Mesmo projetando terminar as eleições de outubro com a maior bancada no Senado, com 28 parlamentares, o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro vai continuar dependendo de simpatizantes da pauta bolsonarista para aprovar suas principais bandeiras, como impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e anistia irrestrita aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
No Senado, há três quóruns necessários para avançar com propostas. Maioria simples para aprovar projetos; pelo menos 49 votos para aprovar propostas de emenda à Constituição; e apoio de 54 senadores para conseguir a meta de destituir um ministro do Supremo ou presidente da República.
Conquistar maioria do Senado sempre foi uma das prioridades declaradas publicamente pelo ex-presidente Bolsonaro antes de ser preso. “Com metade do Senado, vou mandar mais que o presidente da República. Não adianta ele (o presidente) indicar o João (nome fictício) para o Supremo, que eu falo para o pessoal ‘aprova ou não aprova’”, afirmou, em ato no ano passado, quando projetava entre 44 e 60 aliados políticos no Salão Azul.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, demonstra otimismo com a disputa pelo Senado em outubro. “Do jeito que estão as avaliações, e mesmo de outros partidos, nós temos oito senadores hoje que não vão disputar (governo), que tem mais quatro anos de mandato. Então, nós devemos fazer mais 20 senadores”, afirmou Valdemar ao Estadão.
O PL vai lançar nomes em 24 Estados – no Amapá não haverá candidatos do PL ao Senado, enquanto no Maranhão e em Pernambuco a situação ainda está indefinida.
Hoje, a bancada do PL no Senado é composta por 16 senadores. Desse grupo, 11 foram eleitos em 2022. Nas contas do presidente do PL, três seriam eleitos governadores – Sérgio Moro, no Paraná, Wellington Fagundes, no Mato Grosso, e Marcos Rogério, em Rondônia.
Na prática, caso se concretize a projeção do presidente do PL, mesmo a maior bancada no Senado não garantiria a aprovação de nem sequer de um projeto de lei sem a ajuda de legendas que, hoje, não estão no palanque formal de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência da República. Muitas delas, inclusive, já sinalizaram que devem compor com o governo Lula caso o petista seja reeleito.
Valdemar manifesta otimismo em eleições como a do Distrito Federal, em que projeta conquistar as duas cadeiras em jogo – Michelle Bolsonaro e Bia Kicis devem ser as duas candidatas do partido.
“Tem muita chance, porque a Michelle vai estourar na frente. A Michelle, quando sai para a rua, a situação dela muda da água para o vinho”, disse Valdemar. O presidente do PL lembra que, em 2022, a ex-primeira-dama fez diferença quando ajudou na campanha da hoje senadora Damares Alves (Republicanos) no Distrito Federal. Naquele ano, Damares começou atrás da ex-ministra da Secretaria de Governo de Bolsonaro, Flávia Arruda, mas acabou levando a vaga depois de Michelle entrar na campanha.
Em Santa Catarina, as pesquisas também projetam que as duas vagas que hoje pertencem a nomes de outros partidos iriam para o PL – Esperidião Amin e Ivete da Silveira dariam lugar para Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni.
O cálculo do presidente do PL, porém, superestima a performance de alguns candidatos e contrasta com pesquisas que apontam para um desempenho ruim de nomes do partido em alguns Estados.
Candidaturas do PL ao Senado em Estados como Minas Gerais, Ceará, Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro aparecem atrás dos dois principais nomes nessas disputas em pesquisas de intenção de voto.
Na Bahia, por exemplo, o PT tem duas candidaturas competitivas num Estado dominado pelo partido de Lula há pelo menos 20 anos. Nome do PL na disputa pelo Senado, o ex-ministro de Bolsonaro João Roma aparece atrás dos petistas Jaques Wagner e Rui Costa – ambos já governaram a Bahia.
No Ceará, palco de uma queda de braço entre Flávio e Michelle Bolsonaro em torno do apoio do PL a governo do Estado, o nome do partido de Valdemar também aparece em desvantagem. Alcides Fernandes, pai do deputado André Fernandes, surge empatado com a deputada Luizianne Lins (Rede) e atrás do senador Cid Gomes (PSB) e do ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil).
Já em São Paulo o cenário é de pulverização de votos da direita, beneficiando, segundo as pesquisas, os nomes apoiados pelo presidente Lula: as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Apoiado por Flávio e pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), patina nos levantamentos feitos até agora.
Pesquisa Datafolha divulgada no último dia 6 mostrou que Marina teria 18% das intenções de voto, enquanto Tebet apareceria com 16%. O presidente da Alesp aparece numericamente atrás do ex-ministro de Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo) – o cenário é de empate técnico.
Estadão Conteúdo











