PGR também estuda negar nova delação de Vorcaro e vê necessidade de confirmar provas

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PGR também estuda negar nova delação de Vorcaro e vê necessidade de confirmar provas

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JOSÉ MARQUES
FOLHAPRESS

Além da Polícia Federal, a PGR (Procuradoria-Geral da República) também estuda a possibilidade de negar a nova delação de Daniel Vorcaro, do Banco Master. O órgão, porém, ainda não fechou uma definição e analisa o que decidirá sobre a segunda proposta oferecida pela defesa do ex-banqueiro.

A intenção é que essa decisão seja tomada o mais rápido possível. Como mostrou a colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, a PF pretende rejeitar a proposta apresentada por Vorcaro aos dois órgãos na semana passada.

Mesmo sem a PF, a PGR pode conduzir a negociação da delação sozinha. O ideal, segundo pessoas que acompanham as investigações, seria que ambos os órgãos fizessem um anúncio conjunto sobre a rejeição.

Na semana passada, a defesa de Vorcaro apresentou nova proposta às autoridades e fez ajustes posteriores nas informações. Agora, não deve haver novos adendos ao que ele entregaria às autoridades.
Na visão de investigadores, a maior dificuldade do ex-banqueiro é a corroboração dos relatos que ele fez, com a apresentação de provas, sobretudo pelo fato de estar preso.

Um exemplo utilizado por eles é de que Vorcaro precisa apresentar documentos do banco para provar relatos que pretende fazer.

O Banco Central decretou a liquidação do Master em novembro do ano passado, e nomeou um liquidante oficial para a instituição financeira.

Essa apresentação de documentos demanda tempo, e esse é um dos motivos para a PGR não ter rejeitado a colaboração de Vorcaro já na primeira proposta.

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Outro motivo é a necessidade de autoconvencimento do próprio investigado, que precisa entender que é necessário colaborar e apontar irregularidades cometidas por ele e por outras pessoas.

Além dessa corroboração, a delação precisa ter ineditismo, com elementos que apontem novos caminhos para investigação, e a questão financeira, com devolução de dinheiro de forma rápida.

As primeiras versões dos anexos da colaboração foram entregues pela defesa de Vorcaro no dia 6 de maio, mas investigadores da PF e da PGR consideraram fracas as informações que o ex-banqueiro pretendia fornecer.

As primeiras versões dos anexos da colaboração foram entregues pela defesa de Vorcaro no dia 6 de maio, mas investigadores da PF e da PGR consideraram fracas as informações do ex-banqueiro.
A PF chegou a rejeitar a delação, mas depois voltou à mesa de negociação.

Essa primeira versão da delação não incluía, por exemplo, as suspeitas relacionadas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) que viraram alvo de uma das fases da operação Compliance Zero.

Embora a investigação policial já estivesse avançada em relação a esse caso, o órgão percebeu que Vorcaro não havia incluído o tema como uma das irregularidades que deveriam ser relatadas em sua colaboração.

Outro caso não citado na delação é o financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia de Bolsonaro, a pedido de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência.

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Mensagens publicadas pelo Intercept Brasil revelam que Vorcaro deu prioridade ao financiamento da produção após pressão do senador.

Em 22 de maio, o advogado Luis Oliveira Lima, o Juca, que estava à frente das tratativas, deixou a defesa. A saída acontece após a rejeição da delação pela PF. Seguiu na defesa do ex-banqueiro o advogado Sérgio Leonardo, que conhece e é próximo a Vorcaro desde a juventude.

Mendonça acabou autorizando a volta do ex-banqueiro a uma cela especial na superintendência da PF em Brasília. Essa era a cela em que Vorcaro estava enquanto fazia os relatos do acordo de colaboração aos advogados.

Na ocasião, a defesa de Vorcaro afirmou às autoridades que estava disposta a apresentar um novo texto com a proposta de delação premiada, o que aconteceu na semana passada.

A PF e a PGR vinham tentando fazer com que Vorcaro ressarcisse R$ 60 bilhões que teria desviado em fraudes do Banco Master em um prazo curto.

Vorcaro é considerado o líder do esquema investigado, e por isso as autoridades consideram que os termos aplicados a ele na negociação devem ser rígidos. Os custos da quebra do Master superam os R$ 57 bilhões até o momento, segundo dados divulgados.

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