O presidente americano, Donald Trump, ameaçou neste sábado (24) impor “tarifas de 100%” sobre as importações canadenses para os Estados Unidos caso um acordo comercial entre Canadá e China seja finalizado, após um pacto preliminar anunciado na semana passada entre Ottawa e Pequim.
As relações entre os Estados Unidos e seu vizinho do norte têm sido turbulentas desde que Trump retornou à Casa Branca há um ano, marcadas por disputas comerciais e pela intenção declarada do presidente de anexar o Canadá como “o 51º estado” dos Estados Unidos.
Durante uma visita a Pequim na semana passada, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, celebrou uma “nova parceria estratégica” com a China, que resultou em um “acordo comercial preliminar, mas histórico” para reduzir as tarifas.
Neste sábado, Trump alertou para sérias consequências caso esse acordo se concretize.
Se Carney “pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está muito enganado”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
“Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”, alertou.
Os dois líderes afiaram suas armas retóricas nos últimos dias, começando com o discurso de Carney na terça-feira no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, onde ele recebeu uma ovação de pé por sua avaliação franca de um “colapso” na ordem global liderada pelos EUA.
Seu comentário foi visto como uma referência à influência disruptiva de Trump nos assuntos internacionais, embora Carney não tenha mencionado o presidente americano.
Trump respondeu a Carney um dia depois, em seu próprio discurso em Davos. Ele então retirou o convite feito ao primeiro-ministro canadense para se juntar ao seu “Conselho da Paz”, o órgão através do qual o americano busca resolver conflitos globais.
“O Canadá não existe graças aos Estados Unidos. O Canadá prospera porque somos canadenses”, disse Carney na quinta-feira em um pronunciamento à nação.
Disputas comerciais
O Canadá é altamente dependente do comércio com os Estados Unidos, que recebem três quintos de suas exportações.
Setores canadenses importantes, como o automotivo, o de alumínio e o siderúrgico, foram afetados pelas tarifas setoriais globais impostas por Trump. Esse impacto foi mitigado, no entanto, pelo T-MEC, o tratado de livre comércio norte-americano entre México, Estados Unidos e Canadá.
As negociações para revisar esse acordo estão programadas para começar no início deste ano e Trump insistiu que os Estados Unidos “não precisam ter acesso a nenhum produto canadense”, o que teria consequências de longo alcance para seu vizinho do norte.
Diante da guerra comercial iniciada por Trump, Carney se concentra em duas áreas: aumentar o comércio interno e buscar novos mercados na Ásia e na Europa.
Nesse contexto, ele se reuniu na semana passada com o presidente chinês, Xi Jinping, com a intenção de buscar um novo acordo que reduza a dependência de seu país em relação aos Estados Unidos.
“A China e o Canadá chegaram a um acordo comercial preliminar, mas histórico, para eliminar barreiras comerciais e reduzir tarifas”, disse Carney em Pequim.
Em virtude do acordo, o Canadá permitirá a entrada de 49.000 veículos elétricos fabricados na China com tarifas preferenciais de 6,1%.
A China, por sua vez, reduzirá as tarifas sobre produtos de canola de 84% para cerca de 15% a partir de 1º de março, além de permitir a entrada de visitantes canadenses no país sem visto.
Trump também ameaçou repetidamente anexar o Canadá e, nesta semana, publicou uma imagem nas redes sociais de um mapa com o Canadá — assim como a Groenlândia e a Venezuela — coberto pela bandeira americana.
As duas nações, juntamente com o México, sediarão a Copa do Mundo de futebol ainda este ano.
© Agence France-Presse












