Ministério Público do TCU considera ilegal fazer leilão de megaterminal de Santos em duas fases

ministerio-publico-do-tcu-considera-ilegal-fazer-leilao-de-megaterminal-de-santos-em-duas-fases
Ministério Público do TCU considera ilegal fazer leilão de megaterminal de Santos em duas fases

publicidade

ALEX SABINO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Parecer do MPTCU (Ministério Público do Tribunal de Contas da União) considera ilegal o modelo proposto pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) para o leilão do Tecon 10, o megaterminal do porto de Santos.

O órgão segue a visão da área técnica do TCU de que o certame deve ser realizado em apenas uma rodada, por um princípio de isonomia entre as empresas. Para os dois órgãos, fazer o leilão em duas fases, impedindo que atuais operadores no porto participem da rodada inicial, como desejam a Antaq e o Ministério de Portos e Aeroportos, vai, na prática, excluir da disputa os atuais “incumbentes”. Estes são os armadores que já possuem terminal no complexo portuário santista.

“Tal medida [o leilão em duas fases] carece de fundamentação técnica robusta, uma vez que não foram demonstrados efeitos anticoncorrenciais concretos no mercado pós-leilão que justificassem a exclusão de players relevantes, especialmente porque, no caso dos incumbentes armadores, a obrigação de desinvestimento cogitada pela área técnica da Antaq gera efeitos estruturais suficientes para fomentar a futura rivalidade entre os grupos verticalizados no mercado”, diz o parecer assinado pela procuradora-geral Cristina Machado da Costa e Silva nesta quinta-feira (30).

“A medida, portanto, mostra-se desproporcional aos fins propostos e afronta os princípios constitucionais da isonomia, da livre concorrência e da eficiência”, completa.

A análise da formatação do edital está no TCU. O relator é o ministro Antonio Anastasia, que vai definir seu parecer e levar ao plenário do Tribunal. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), já disse que vai respeitar a recomendação de Anastasia.

Leia Também:  Mulher de Ramagem diz ter contas bloqueadas e acusa Moraes de ‘abuso de autoridade’

Para a Antaq, há o risco de concentração de mercado, caso os atuais incumbentes possam participar. A medida atingiria alguns dos maiores armadores do mundo: Maersk, MSC (sócias no terminal BTP) e CMA CGM (dona da Santos Brasil). A DP World também seria afetada.

“Consideramos adequada, assim, a proposta de determinar ao Ministério de Portos e Aeroportos que altere a minuta do edital, de modo a prever leilão em etapa única, permitida a participação de todos os incumbentes, estabelecendo, a critério do Poder Concedente, obrigação de desinvestimento caso um dos incumbentes armadores se sagre vencedor -com definição de prazo razoável e mecanismos que assegurem seu cumprimento tempestivo e sem compartilhamento de informações sensíveis-, ou outros remédios que venham a ser definidos em conjunto com o Cade”, opina o MPTCU.

O principal desinvestimento seria a empresa vencedora, caso seja incumbente no porto de Santos, venda seus ativos anteriores ao Tecon 10.

A legalidade do leilão em duas fases também foi contestada pelo Ministério da Fazenda, que alertou sobre a possibilidade de judicialização do processo. Na semana passada, em evento na B3, em São Paulo, Costa Filho havia falado sobre a expectativa de realizar o leilão até 17 de dezembro.

Empresas interessadas no assunto e que defendem as duas fases também se manifestaram à Antaq e Anastasia quanto ao tema.

Há o argumento de que o interesse público está em evitar o domínio de mercado por uma única empresa. Também que o porto de Santos já tem alta concentração causada por Maersk, MSC e CMA CGM.

Leia Também:  PF diz que vai apurar se filho de Lula foi ‘sócio oculto’ do Careca do INSS em negócios no governo

A filipina ITCSI, que tem terminal no porto de Suape, em Pernambuco, e deseja participar do leilão, disse que o certame em duas fases possibilitaria uma disputa mais equilibrada e que impediria que as companhias já atuantes em Santos combinassem o resultado.

Uma alegação técnica de outras empresas que já atuam no porto de Santos é que a competência é da Antaq para decidir o modelo do leilão.

A Maersk, uma das maiores interessadas na liberdade concorrencial, afirma que a concentração de mercado é uma projeção sem base na realidade e que não há nenhum dado concreto que comprove isso.

O Tecon 10 será instalado em uma área no bairro do Saboó, em Santos, de 622 mil metros quadrados. O projeto é que seja multipropósito, movimentando contêineres e carga solta. O vencedor do leilão será definido pelo modelo da maior outorga: ganha quem oferecer mais dinheiro pelo direito de construí-lo e operá-lo.

A capacidade vai chegar a 3,5 milhões de TEUs por ano (cada TEU representa um contêiner de 20 pés, ou cerca de 6 metros). Será o maior terminal do tipo no país.

Serão quatro berços, como são chamados os locais de atracação do navio para embarque e desembarque. A previsão de investimento nos 25 anos de concessão pode chegar a R$ 40 bilhões.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

Expresão Local
Resumo sobre Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você acha mais interessantes e úteis.

Saiba mais lendo nossa Política de Privacidade