Justiça derruba habeas corpus preventivo concedido à médica do caso Benício

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Justiça derruba habeas corpus preventivo concedido à médica do caso Benício

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A Justiça do Amazonas revogou na sexta-feira (12) um habeas corpus preventivo que havia sido concedido à médica Juliana Brasil Santos, investigada pela morte de Benício Xavier de Freitas, 6, após receber uma dose de adrenalina na veia.

Desembargadora considerou que a Câmara Criminal não tem competência para julgar o habeas corpus previamente concedido. Na decisão, Carla Maria Santos dos Reis, diz que “não conheceu do presente habeas corpus preventivo, diante da incompetência desta Câmara Criminal para processar e julgar a ordem impetrada em face do ato praticado pelo delegado de polícia titular do 24º Distrito Integrado de Polícia em desfavor da paciente. Revoga-se, por conseguinte, a liminar anteriormente deferida pelo juízo de plantão”. O documento foi obtido pela TV Amazônica.

Derrubada de habeas corpus abre caminho para que polícia peça medidas cautelares em relação à médica. O delegado Marcelo Martins afirmou à emissora que Juliana responde pelos crimes de falsidade ideológica, uso de documento falso e de homicídio doloso com dolo eventual.

Habeas corpus havia sido concedido após vídeo apresentado pela defesa da médica. Em entrevista à CNN, Martins afirmou que o Tribunal de Justiça do Amazonas concedeu habeas corpus a Juliana no último dia 8, após sua defesa apresentar como prova um vídeo que mostraria o sistema hospitalar trocando automaticamente a via de administração do medicamento de nebulização para a via venosa.

Benício foi internado no dia 22 de novembro, no Hospital Santa Júlia, em Manaus. Na ocasião, a criança apresentava quadro de tosse seca e tinha suspeita de laringite. O relato foi feito pelos pais do menino e consta no boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil do Amazonas.

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Juliana, responsável por atender Benício, prescreveu uma série de procedimentos, entre os quais três doses de adrenalina intravenosa. As três doses de adrenalina, de 3 ml cada, deveriam ser aplicadas ainda no hospital, com intervalo de 30 minutos entre uma e outra. Benício chegou a receber uma dose.

Pais estranharam a prescrição para adrenalina por via intravenosa. Eles alegaram que, até então, a criança só havia recebido adrenalina por nebulização, ou seja, inalar o medicamento na forma de aerossol por via respiratória, não venosa -sem ser ministrado direto na corrente sanguínea.

Apesar da ressalva dos pais, a primeira dose de adrenalina foi aplicada por via intravenosa. Técnica de enfermagem alegou que deveria seguir o tratamento indicado pela médica na receita. Durante o período de internação na UTI, Benício sofreu seis paradas cardíacas. A equipe médica conseguiu reanimá-lo cinco vezes, mas a morte foi confirmada na madrugada do domingo (30).

Benício morreu em decorrência de uma overdose de adrenalina. A causa do óbito foi tornada pública pelo delegado do caso. O caso é investigado como homicídio doloso qualificado -quando há intenção de matar.

Delegado explicou que a defesa de Juliana nega negligência. Conforme Martins, os advogados alegam que a médica teria solicitado um antídoto para reverter o quadro clínico de Benício, mas, segundo o delegado, um médico ouvido no decorrer da investigação apontou “que não existe antídoto para esse tipo de situação”. O delegado também afirmou que Juliana declara que o erro ocorreu por uma falha no sistema do hospital.

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Investigação mostrou que a médica pediu ajuda a um colega por mensagem e mencionou “desespero” após o menino receber adrenalina de forma intravenosa e passar mal. Nas mensagens, Juliana fala duas vezes que prescreveu a aplicação da adrenalina de forma errada. A conversa foi divulgada em prints publicados nas redes sociais, que tiveram a veracidade confirmada pela polícia.

Caso segue sob investigação. Ainda segundo o delegado, o inquérito vai determinar se houve negligência ou erro médico no atendimento a Benício.

O que dizem as partes envolvidas

Defesa de Juliana disse a reportagem que aguarda a “oitiva formal dos envolvidos” para se manifestar. A médica é representada pelos advogados Felipe Braga e Alessandra Vila.

Técnica de enfermagem afirma que seguiu as orientações prescritas pela médica. Raíza Bentes confirmou em entrevista à imprensa que os pais de Benício questionaram se a adrenalina seria aplicada por nebulização, e ela respondeu que a médica havia prescrito por via intravenosa. A técnica afirmou ter aplicado a adrenalina apenas uma vez.

Hospital Santa Júlia informou investigar internamente a morte de Benício e afastou a médica e a técnica.

A unidade de saúde reforçou que está “oferecendo apoio à família em tudo o que for necessário”.

“Seguimos comprometidos com a segurança do paciente, a ética e a responsabilidade assistencial que orientam a atuação da instituição.”

A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos pais de Benício. O espaço segue aberto para manifestação.

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