ISADORA LAVIOLA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O temporal de granizo e ventania que assolou São Paulo na última terça (13) causou um alagamento grave na editora Reformatório, no bairro Parque Vitoria, na zona norte da capital. A estimativa do editor Marcelo Nocelli é que 30% do estoque tenha sido perdido, além de outros danos estruturais e materiais.
O incidente ocorreu a poucos meses da mudança da editora para um novo endereço. O imóvel atual, que é alugado, abriga tanto o estoque quanto o escritório da Reformatório e, segundo Nocelli, ambos os espaços foram afetados pela água que entrou pelo teto de gesso. “Parecia que estava chovendo aqui dentro.”
No momento em que a tempestade começou, Nocelli estava no futuro endereço da editora, em Perdizes, planejando a mudança. No imóvel do Parque Vitória, a água chegou a cerca de 10 centímetros de altura.
Foram perdidos móveis, equipamentos eletrônicos e aproximadamente 1.200 exemplares, um prejuízo estimado pelo editor em no mínimo R$ 60 mil. Trabalhos em andamento também foram comprometidos, já que estavam armazenados em computadores danificados pela água.
Em meio à contagem de perdas e danos, Nocelli recorda a discussão em torno do uso do shrink -plástico fino que envolve os livros- acesa no ano passado por nomes influentes do mercado editorial.
“É complicado dizer que sou a favor do plástico por causa do impacto ambiental, mas o shrink me salvou. Conseguimos salvar os livros embalados com ele, inclusive os que caíram na água. Neste momento, sou totalmente a favor”, diz.
O estoque perdido inclui títulos de todos os 13 anos em que a Reformatório está no mercado. “Somos uma editora pequena, publicamos dois livros por mês e frequentemente temos obras finalistas de grandes prêmios. Já tivemos autores vencedores do São Paulo de Literatura. É uma trajetória que me dá orgulho”, afirma.
A coincidência entre o alagamento e o processo de mudança acabou facilitando a recuperação da editora. Uma campanha de financiamento coletivo, inicialmente criada para viabilizar a reforma da nova sede, passou a ser usada também para cobrir os prejuízos. Segundo Nocelli, mais de 80% da meta foi alcançada após ele relatar o ocorrido nas redes sociais.
Nocelli conta que, quando viu a editora cheia de água, chegou a cogitar a possibilidade de voltar a trabalhar para outras empresas, como fazia até os primeiros anos da Reformatório. A mobilização de leitores e amigos, no entanto, mudou o cenário. A expectativa agora é de que a editora retome suas atividades normais em cerca de dois meses.
“Fui do desespero ao otimismo em uma semana, graças a muita ajuda”, comemora.










