JÚLIA MOURA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Credores de Nelson Tanure tomaram parte das ações do empresário na Light e na Alliança Saúde, comunicaram as companhias em fato relevante neste sábado (7).
A participação de Tanure nessas empresas é indireta, via fundos de investimento e outras empresas.
Na Light, a migração de ações foi por meio do fundo Opus, que ficou com 9,9% da empresa. Segundo o veículo de investimento comunicou à concessionária de energia, as movimentações não têm como objetivo alterar o controle ou a estrutura administrativa da empresa.
O Opus também afirma que “está tomando as devidas providências para promover a venda da referida participação, não tendo, portanto, a intenção de se manter como acionista”.
Na companhia de diagnósticos médicos Alliança Saúde, o Opus passou a deter 49,11% do capital social da companhia.
A Lormont Participações e o fundo Fonte de Saúde, ligados a Tanure, tiveram sua participação na Alliança Saúde reduzida para 6,96% “Em decorrência da excussão da garantia, os acionistas deixaram de ser controladores da companhia”, diz fato relevante da empresa, publicado neste sábado (7).
Já o fundo Infratelco, da gestora de recursos Prisma Capital e um dos credoras de Tanure, ficou com 10,72% da Alliança. Em comunicado enviado à empresa de saúde, a Prisma disse que “está tomando as devidas providências para promover a venda da referida participação, não tendo, portanto, a intenção de se manter como acionista”.
Além da mudança acionária, Opus e Infratelco informaram que passaram a ser credores da Alliança, no valor de R$ 477,16 milhões, e que pretendem receber esse valor em ações, no aumento de capital social da empresa.
“A Companhia informa, ainda, que Lormont e Fonte de Saúde comunicaram que capitalizarão o saldo restante do AFAC [Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital], no montante de R$ 55,45 milhões, no âmbito do aumento de capital”, comunicou a Alliança.
Procurado, Nelson Tanure não quis comentar a execução dos créditos.
Tanure teve seus bens bloqueados em janeiro por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, no mesmo montante daquele pedido em relação a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, atendendo a um pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República), segundo decisão judicial.
A medida judicial se insere no contexto das apurações de fraude no Master, banco liquidado pelo Banco Central em novembro e investigado pela criação de cerca de R$ 12 bilhões em operações falsas de crédito.
Toffoli cita uma manifestação da PGR que menciona Tanure, dizendo que a PF (Polícia Federal) apontou indícios de que ele é “sócio oculto do Banco Master, exercendo influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas, razão pela qual o bloqueio do seu patrimônio deve ocorrer”. A decisão não traz o valor do bloqueio solicitado.
Em sua decisão, o ministro do STF aceitou os pedidos de sequestro e bloqueio de bens feitos pela PGR, que incluem Tanure e outras pessoas. “Diante desse cenário, mostra-se urgente e necessário o deferimento dos pedidos formulados pelo Procurador-Geral da República nestes autos,” afirmou Toffoli em sua decisão do dia 6 de janeiro.
Tanure foi alvo de busca e apreensão durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, que mirou pessoas supostamente envolvidas em fraudes realizadas pelo Banco Master por meio do uso de fundos de investimento.
A operação da PF foi uma espécie de ápice na trilha de controvérsias que marcam a trajetória de Tanure desde a década de 1990.
Entre as empresas nas quais figurou como investidor mais recentemente estão a Prio, do setor de óleo e gás, a incorporadora imobiliária Gafisa, além da Light e da Alliança.
No passado mais distante, foi acionista relevante da operadora de telefonia Oi no período mais crítico da empresa e assumiu o controle do antigo jornal econômico Gazeta Mercantil em um momento de grave crise que culminou com o encerramento das operações. Nessa área, também foi dono do Jornal do Brasil.










