RICARDO DELLA COLETTA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
A Autoridade Nacional Palestina vai substituir seu embaixador em Brasília, Ibrahim Alzeben, após mais de 17 anos no cargo.
Ele será substituído por Marwan Burini, atual embaixador palestino em El Salvador, que deve chegar a Brasília nos próximos dias. Já Alzeben permanece na capital, mas agora como representante da Liga dos Estados Árabes.
Alzeben é o principal diplomata palestino em Brasília desde pouco antes do reconhecimento, pelo Brasil, do Estado da Palestina, em 2010.
De acordo com o portal do Itamaraty, ele recebeu as credenciais diplomáticas do governo brasileiro em abril de 2008, quando a missão em Brasília ainda era uma delegação especial a Autoridade Palestina é reconhecida por 157 países como governo da Palestina, Estado ainda sem base territorial soberana.
A história de Alzeben no Brasil, no entanto, é anterior. Ele conta que serviu pela primeira vez no país entre 1989 e 1996, depois de um período na Bolívia. À época, a nação árabe atuava diplomaticamente em Brasília por meio de uma representação da OLP (Organização para a Libertação da Palestina).
De sua primeira passagem, quando era o número 2 da missão, Alzeben tem como momento mais marcante a visita a Brasília de Yasser Arafat, líder da Autoridade Palestina, em outubro de 1995.
“Arafat pisou no território latino-americano continental em duas ocasiões: 1980, numa visita à Nicarágua, e quando visitou o Brasil, na época do presidente Fernando Henrique Cardoso”, diz.
De acordo com reportagem da Folha da época, FHC prometeu a Arafat ajuda para palestinos em áreas como agricultura, saúde e saneamento.
Naquela visita, Arafat também teve um almoço com o então líder da oposição Luiz Inácio Lula da Silva, hoje presidente da República.
“Eu tive a sorte de acompanhar todo o período democrático [no Brasil]. Quando cheguei aqui, era o senhor presidente [José] Sarney. Depois foi [Fernando] Collor de Mello, Itamar Franco e logo Fernando Henrique”, afirma Alzeben, ainda sobre seu primeiro período em Brasília.
Quando retornou, em 2008, na segunda gestão Lula, a delegação palestina já tinha sido simbolicamente equiparada ao status de embaixada.
Para o palestino, dois momentos marcaram sua gestão à frente da missão. O primeiro foi a conclusão da atual sede da embaixada, em 2016. O terreno, localizado a poucos quilômetros do Palácio do Planalto, foi doado em troca de espaço para a representação do Brasil em Ramallah.
“O segundo momento foi quando tivemos a honra da visita do sr. presidente [Lula à embaixada]”, completa Alzeben. No início de 2024, o petista plantou uma oliveira ao lado do embaixador.
Normalmente, diplomatas permanecem menos tempo nos países que os recebem. As missões em um posto tendem a variar de três a cinco anos.
O extenso período de Alzeben e de outros diplomatas palestinos pode ser explicado pelas dificuldades orçamentárias e de recursos da Autoridade Palestina para as transferências de pessoal no exterior. A entidade, criada nos Acordos de Oslo dos anos 1990, governa parcialmente a Cisjordânia e vive uma crise de legitimidade entre os palestinos dos territórios ocupados por Israel.










