JULIA CHAIB, MARIANA CARNEIRO E CONSTANÇA REZENDE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, quer restringir suas respostas no depoimento à CPI do INSS a questões sobre os descontos nas contas de aposentados e pensionistas e evitar temas que possam colocá-lo em conflito com políticos do PT ou integrantes do centrão. Vorcaro deverá depor à CPI do INSS em 26 de fevereiro, após o Carnaval, e não pretende ficar calado.
Ele tem sinalizado que deseja responder a questionamentos feitos por parlamentares, mas não há expectativa de que ele esclareça casos como a indicação de Guido Mantega para trabalhar no banco, feita pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT).
Por ora, a intenção de Vorcaro é dizer que perguntas ligadas à relação dele com políticos, ou sobre a venda do Master para o BRB, fogem ao escopo da CPI.
A presença de Vorcaro na comissão vem sendo explorada por alguns integrantes da CPI como uma arma contra adversários políticos. A expectativa desses parlamentares era que ele desse recados que pudessem ampliar a tensão em Brasília.
A defesa do ex-banqueiro resistia à participação dele na comissão, mas diante da pressão pela convocatória sinalizou ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, que o ex-banqueiro estaria disposto a comparecer à CPI e falar.
Segundo pessoas ligadas ao investigado, a decisão foi uma estratégia para evitar desgastes com ministro do Supremo -para que Toffoli não precisasse se expor para negar um pedido da comissão.
Ao mesmo tempo, isso colocou seus advogados em posição para negociar os termos do depoimento, o que foi feito.
O presidente da CPI disse que aceitou o adiamento do depoimento a pedido da defesa como um acordo para que os advogados não pedissem à Justiça para faltar à comissão.
O pior cenário traçado pela defesa do ex-banqueiro seria ele permanecer calado durante todo o depoimento, o que poderia atiçar ainda mais críticas e elevar a temperatura no bastidor político, já apreensivo com o avanço das investigações da Polícia Federal. Como mostrou a Folha de S. Paulo, a PF identificou mais nomes de políticos com foro especial nas apurações sobre o Master.
Não se descarta, contudo, que a estratégia do ex-banqueiro mude até a data da CPI, ainda que ele tenha demonstrado até o momento disposição para depor.
A convocação de Vorcaro foi aprovada no ano passado pela CPI, tendo como gancho reclamações de consumidores sobre operações de crédito consignado do banco.
Os descontos de cerca de 250 mil contratos do Master estavam suspensos, mas uma decisão da Justiça nesta semana determinou que os valores sejam depositados numa conta judicial a fim de preservar o pagamento dos aposentados.









