O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, anunciou a coleta de assinaturas para prorrogar os trabalhos do colegiado, que apura fraudes em descontos nas folhas de aposentados e pensionistas.
Instalada em 20 de agosto de 2025, a CPMI tem prazo previsto para encerrar em 28 de março de 2026, mas Viana defende a extensão para aprofundar as investigações. “Não é aceitável encerrar esse trabalho sem que todas as responsabilidades sejam devidamente apuradas”, afirmou o senador em redes sociais. Ele mencionou que o pedido de prorrogação, por mais 60 dias, será analisado com seriedade em respeito ao interesse público.
Em dezembro de 2025, Viana já havia sinalizado a intenção de solicitar a prorrogação, após a aprovação de 300 requerimentos de convocação de autoridades e pedidos de informação em uma reunião de novembro. A comissão realizou 29 reuniões até 4 de dezembro de 2025 e deve retomar os trabalhos em 5 de fevereiro de 2026, com ênfase em fraudes envolvendo empréstimos consignados, como assédio, concessões sem consentimento e renovações fraudulentas que geram dívidas impagáveis.
Durante 2025, a CPMI ouviu 26 testemunhas, incluindo Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), como autor do maior roubo a aposentados e pensionistas da história do Brasil. Dados apurados indicam que Antunes movimentou R$ 24,5 milhões em cinco meses como operador do esquema.
Vários depoentes optaram pelo silêncio amparados por habeas corpus, e alguns foram acusados de mentir em oitivas, levando a prisões. Foram detidos Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA); Jucimar Fonseca da Silva, ex-coordenador-geral de pagamentos e benefícios do INSS; Rubens Oliveira Costa, sócio do Careca do INSS; e Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
Até janeiro de 2026, a CPMI analisou 4,8 mil documentos, aprovou 73 requerimentos de informação e determinou 48 quebras de sigilo. As investigações apontam 108 empresas suspeitas e movimentações financeiras incompatíveis superiores a R$ 1,2 bilhão.
Para 2026, Viana planeja apresentar uma prévia do relatório baseada nas oitivas do ano anterior, enquanto o colegiado continua as apurações sobre irregularidades em consignados sem autorização.
*Com informações da Agência Senado











