PSD, União e PL ensaiam aliança para derrotar candidato de Motta e Lula ao TCU

psd,-uniao-e-pl-ensaiam-alianca-para-derrotar-candidato-de-motta-e-lula-ao-tcu
PSD, União e PL ensaiam aliança para derrotar candidato de Motta e Lula ao TCU

publicidade

AUGUSTO TENÓRIO E RAPHAEL DI CUNTO
FOLHAPRESS

O PSD, o União Brasil e o PL estudam formar uma aliança para disputar a próxima indicação da Câmara ao TCU (Tribunal de Contas da União). A estratégia visa desbancar Odair Cunha (PT-MG), candidato apoiado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), num consórcio com a bancada do partido presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os dois partidos do centrão não se sentem contemplados pelo acordo firmado por Motta, que prometeu apoio a Odair para garantir os votos da bancada do PT na disputa pela Presidência da Câmara, em 2025.

O PL, por sua vez, apresenta uma forte resistência a apoiar um petista para a vaga na Corte de Contas.

O PSD decidiu lançar candidato próprio e escolheu Hugo Leal (RJ) para a disputa. Já o União tem dois pré-candidatos, Danilo Forte (CE) e Elmar Nascimento (BA), e escolherá um deles em reunião prevista para o próximo dia 23.

Curiosamente, essas são as duas siglas que tinham candidatos na última disputa pela Presidência da Câmara. O PSD tinha o seu líder, Antônio Brito (PSD) na corrida, enquanto o União defendia Elmar, que também liderava sua bancada. Ambos retiraram suas candidaturas quando Motta oficializou os apoios do PT e do PL.

Nos bastidores, lideranças dos dois partidos afirmam que discutirão um acordo para união de forças. O PSD de Kassab tem 49 deputados, enquanto o União Brasil possui 59. A ideia é atrair o PL para essa aliança, considerando que a legenda bolsonarista ocupa 87 cadeiras na Casa.

Leia Também:  Câmara de Aparecida mantém vetos do prefeito a projetos de vereadores

De acordo com parlamentares do União e PSD, um acordo poderia ser desenhado visando uma segunda vaga do TCU. O lugar em disputa neste momento é o do ministro Aroldo Cedraz, que se aposenta ainda em fevereiro. Uma segunda é a de Augusto Nardes, que deixaria a Corte compulsoriamente em outubro de 2027, quando completa 75 anos, mas cogita aposentar sua aposentadoria.

Dessa forma, as siglas indicam um acordo para que uma delas leve a vaga de Cedraz, e a outra leve a de Nardes.

A cúpula do PL ainda estuda o cenário, mas lideranças confessam à Folha que a junção de forças com o PSD e o União Brasil é de interesse. Como a votação é secreta, caciques da sigla indicam que a tendência da base é votar em outro candidato que não seja o petista, mesmo que Motta pressione o partido a votar em Odair.

No PL, há uma mágoa com Motta. Deputados citam que apoiaram o atual presidente da Câmara, mas que a suposta promessa de se pautar a anistia aos envolvidos com o 8 de Janeiro jamais foi cumprida. A Casa aprovou uma dosimetria, com perdão parcial de penas dos condenados pela trama golpista. Dessa forma, parlamentares do partido se sentem desobrigados a votar em Odair.

Ou seja: se a aliança entre esses partidos prosperar, os caciques avaliam que podem partir com 190 votos para a disputa. Eles tentarão, ainda, atrair legendas menores que não demonstraram alinhamento a Odair, como o Solidariedade.

Leia Também:  Lula: Expresso meu profundo sentimento a todas as famílias vítimas do tornado no Paraná

Petistas ouvidos pela Folha, porém, destacam que o PL entrou no acordo que previa a indicação de Odair ao TCU. Na costura da eleição de Motta, o partido levou a vice-presidência da Câmara, hoje ocupada por Altineu Côrtes (RJ).

Dessa forma, os petistas esperam os votos do PL. Além disso, dizem contar com apoio consolidado do MDB, PP e Republicanos, ainda como parte do entendimento que levou Motta à Presidência da Casa.

Segundo aliados, Hugo está se preparando para a ofensiva dessa ala do centrão. O presidente da Câmara deve convocar a votação para definir o próximo ministro do TCU ainda em fevereiro, para não dar tempo à articulação adversária. Na última reunião de líderes, em 2 de fevereiro, segundo interlocutores, avisou que procuraria os representantes de cada bancada para garantir apoio a Odair.

COMO FUNCIONAM AS INDICAÇÕES

O TCU é um ponto de interesse de políticos. Além de contarem com um cargo vitalício, seus ministros trabalham na fiscalização de recursos públicos e no julgamento das contas dos gestores públicos.

A Corte é formada por nove ministros. O presidente da República tem três indicações, sendo que duas delas precisam ser de auditores ou membro do Ministério Público junto ao TCU.

Os seis ministros são escolhidos pelo Congresso Nacional, sendo três pela Câmara e três pelo Senado. O Legislativo, porém, não precisa seguir exigência, tendo liberdade para escolher entre deputados e senadores.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

Expresão Local
Resumo sobre Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você acha mais interessantes e úteis.

Saiba mais lendo nossa Política de Privacidade