CATARINA SCORTECCI
FOLHAPRESS
Dezenas de prefeitos de cidades do Paraná filiados ao PL ensaiam uma debandada do partido como reação à filiação do senador Sergio Moro. O ex-juiz é pré-candidato a governador e, sem espaço na Federação União Progressista, migrou para o PL a convite do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro.
A dissidência foi aberta pelo deputado federal Fernando Giacobo, que saiu da presidência do PL estadual logo após a chegada do ex-juiz. Ele defende o apoio ao candidato que será escolhido pelo grupo do governador Ratinho Junior (PSD).
Nesta quinta-feira (26), Giacobo se reuniu com os prefeitos do partido em um hotel em Curitiba e recebeu apoio dos administradores locais. Pelos cálculos do parlamentar, ao menos 48 dos 53 prefeitos do PL estiveram no encontro e confirmaram adesão ao movimento de desfiliação. Na lista, há prefeitos de cidades como Cascavel, Araucária e Pato Branco.
O presidente da AMP (Associação dos Municípios do Paraná) e prefeito de Assis Chateaubriand, Marcel Micheletto, também deixou o PL e discursou no encontro em defesa da “continuidade no governo estadual”. “Ninguém vai soltar a mão do maior governador da história, que tem sido um governador municipalista. Não seremos ingratos”, disse Micheletto aos prefeitos.
Giacobo lembra que, no início de 2025, houve um acordo entre as siglas no estado para que houvesse uma aliança no pleito de 2026. “Esse acordo foi inclusive chancelado pelo ex-presidente Bolsonaro. No momento em que eles filiam o Moro, esse acordo foi quebrado. Eu sou um homem de palavra. Não posso concordar com isso”, disse Giacobo à Folha.
O deputado também faz críticas diretas ao ex-juiz. “E jamais ficarei no palanque de um cidadão que, quando saiu do Ministério da Justiça, saiu dizendo que ele ia derrubar o presidente Bolsonaro, que ia prender ele, porque era um ladrão corrupto”, afirmou.
Procurado pela reportagem, o novo presidente do PL paranaense, deputado federal Filipe Barros, disse em nota que ele e Moro irão abrir diálogo com todos os prefeitos, vices e parlamentares do partido “com muita responsabilidade e respeito”.
Deputados aliados de Moro também reagiram diante da debandada dos prefeitos. Em um vídeo publicado em uma rede social nesta sexta-feira (27), o deputado estadual Mauro Moraes (União Brasil) afirmou que “muitos estão saindo por pressão”, com receio de perder recursos dos cofres estaduais.
“Vocês sabem por que isso está acontecendo? Pode ter certeza de que não é por ideologia, não é por uma causa mais nobre, não é por um projeto. É por medo, medo de perder emendas, recursos, cargos, no governo atual. Infelizmente esta é a realidade da política atual. Não vamos nos enganar, minha gente”, disse o deputado.
Moraes já foi secretário estadual no governo Ratinho Junior, na cota do União Brasil, mas acabou sendo trocado no início de 2025 pelo deputado estadual Do Carmo, que é do mesmo partido, mas desafeto de Moro.
O deputado estadual Delegado Jacovós (PL) também assumiu a tarefa de tentar amenizar o impacto da debandada dos prefeitos. Ele disse em nota que Filipe Barros “pediu que levássemos tranquilidade” às lideranças municipais.
Jacovós acrescentou que há um compromisso para que sejam respeitados “todos os acordos já estabelecidos pela direção anterior”.
Depois das eleições de 2024, o PL se tornou uma das legendas com mais prefeitos entre os 399 municípios do Paraná, perdendo apenas para o PSD (164 prefeitos) e o PP (61 prefeitos).
De acordo com Giacobo, os prefeitos dissidentes devem migrar para o PSD ou para partidos que estarão na coligação da legenda do governador.
Enquanto isso, o PSD segue sem definição sobre o nome do partido que irá para as urnas. Ratinho Junior defendeu internamente o seu secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), mas o desempenho nas pesquisas de intenção de voto não convenceu o grupo.
O deputado estadual Alexandre Curi (PSD), presidente da Assembleia Legislativa, quer sair candidato, mas ainda busca o respaldo do governador. Curi cogita trocar a legenda pelo Republicanos caso não encontre espaço.
O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca já fez movimento semelhante. Sem apoio do governador para ser o candidato do PSD, migrou para o MDB.
Diante da indefinição, até o nome do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), que está há pouco mais de um ano no exercício do mandato, também passou a ser ventilado.
No campo da oposição, já há um nome definido. O deputado estadual Requião Filho, do PDT, vai entrar na disputa ao Palácio Iguaçu em uma aliança com o PT.










