Petistas históricos enfrentam plano de grupo de Lula no RS e resistem a apoiar Juliana Brizola

petistas-historicos-enfrentam-plano-de-grupo-de-lula-no-rs-e-resistem-a-apoiar-juliana-brizola
Petistas históricos enfrentam plano de grupo de Lula no RS e resistem a apoiar Juliana Brizola

publicidade

CARLOS VILLELA
PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS)

A pressão do PT nacional para que o diretório do partido no Rio Grande do Sul abra mão de ter candidato próprio ao governo estadual para apoiar a ex-deputada Juliana Brizola (PDT) enfrenta resistência das lideranças mais antigas do partido no estado.

O grupo técnico do diretório nacional que define as estratégias eleitorais do PT publicou uma carta nesta terça-feira (7) cobrando que o partido integre a chapa encabeçada pela neta de Leonel Brizola.

O texto diz que o PT gaúcho deve considerar a estratégia nacional de reeleição do presidente Lula com uma base ampla de centro-esquerda, e construir “uma tática eleitoral conjunta com o PDT e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola, como expressão política dessa estratégia no estado”.

Os petistas do estado querem lançar a governador o ex-presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) Edegar Pretto, que já concorreu em 2022. Em resposta, Edegar divulgou uma carta própria afirmando que recebeu o documento do presidente do PT, Edinho Silva, e solicitou uma reunião do diretório estadual do partido para discutir o tema.

“A instância partidária que definiu a tática eleitoral no Rio Grande do Sul é soberana para decidir o meu papel nas eleições deste ano”, disse o pré-candidato.

Em um ato organizado pela campanha de Edegar na noite de segunda-feira (6), os ex-governadores Tarso Genro e Olívio Dutra, além do ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont, defenderam, em discursos inflamados, a candidatura própria do partido ao governo do Rio Grande do Sul.

Ex-presidente nacional do partido, Tarso, que foi ministro da Educação e da Justiça nos primeiros mandatos de Lula, disse que uma intervenção é um desrespeito à militância e ao histórico do PT gaúcho, que comandou o estado duas vezes e governou Porto Alegre de 1989 a 2004.

Leia Também:  MP de contas pede para TCU investigar repasse de emendas da saúde a municípios

“Eu não acredito que eles tenham coragem de fazer uma intervenção para dizer para a miltancia aqui no estado que a nossa candidata é de outro partido”, disse.

Já Olívio Dutra liderou gritos de “Lula, Edegar” e pediu a união de “nossos partidos da esquerda, no campo democrático popular, contra o estado privatizado”. A aliança, até o momento, também conta com apoio do PC do B, PSB, Rede Sustentabilidade e PV.

Edegar se viabilizou como candidato ao governo logo após surpreender nas eleições de 2022, quando chegou ao terceiro lugar com 26,77% e não tirou o candidato à reeleição, Eduardo Leite, do segundo turno por apenas 2.441 votos.

Ligado à agricultura familiar e um dos poucos nomes do PT com bons resultados no campo, ele foi escolhido pelo presidente Lula para comandar a Conab em seu terceiro mandato.

A principal ausência do ato foi o deputado federal Paulo Pimenta, um dos aliados mais próximos do presidente no estado e pré-candidato ao Senado.

Procurada, a assessoria do deputado disse que ele não foi ao evento devido a agendas ligadas à entrega do relatório da maioria da CPMI do INSS.

Porém, políticos ligados ao grupo de Pimenta, como a deputada estadual Laura Sito e a vereadora de Porto Alegre Natasha Ferreira, também não estiveram presentes e não se manifestaram sobre o evento nas redes sociais.

Lula recebeu Juliana e o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, no Palácio do Planalto, em fevereiro, para debater a possibilidade de apoio.

Além da resistência de parte da militância petista, o PSOL já sinalizou que não deve participar da aliança caso a pedetista seja a cabeça de chapa, o que pode alterar a disputa ao Senado. A ex-deputada Manuela DÁvila, que se filiou ao partido depois de 20 anos no PC do B, é a outra pré-candidata ao Senado pelo grupo e discursou no ato em defesa da candidatura de Pretto.

Leia Também:  Banco da Rússia processa Euroclear e critica planos da UE para uso de ativos russos congelados

Segundo a deputada federal Fernanda Melchionna, pesa o fato de que o PDT integrou a base do governador Eduardo Leite (PSD) em seus dois mandatos. O PSOL critica Leite pela privatização de empresas públicas e políticas econômicas implementadas durante sua gestão.

O apoio ao atual governo também foi alvo de críticas de Raul Pont, petista que governou Porto Alegre de 1997 a 2001. “Como é que vamos fazer campanha para uma pessoa que ha 12 anos apoia o neoliberalismo?”, questionou, citando o apoio do PDT a José Ivo Sartori (MDB), antecessor de Leite.

Na segunda-feira, Juliana divulgou nota conjunta com o diretório nacional e estadual do PDT reiterando apoio à reeleição de Lula e citou seu histórico contra as privatizações das empresas estaduais CEEE (energia) e Corsan (água e saneamento).

Ela também disse que tentou construir unidade, “mesmo com divergências”, com setores do centro e da centro-direita para ajudar na reconstrução de Porto Alegre após a tragédia climática de 2024.

À época, ela disputou a prefeitura e recebeu apoio de Eduardo Leite, então no PSDB, como uma alternativa ao PT, que lançou a deputada federal Maria do Rosário, e ao bolsonarismo, que apoiou o então candidato à reeleição, Sebastião Melo (MDB).

Juliana ficou em terceiro com 19,96% dos votos, seis pontos percentuais abaixo de Maria do Rosário. A disputa se resolveu no segundo turno, com a vitória de Melo, com 61,53% dos votos.

O partido também confirmou na segunda-feira que o PDT deixou a base de Leite, que faz campanha para seu vice, Gabriel Souza (MDB), como sucessor.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

Expresão Local
Resumo sobre Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você acha mais interessantes e úteis.

Saiba mais lendo nossa Política de Privacidade