Nunes culpa chuva concentrada e gestões anteriores por aumento de mortes em temporais

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Nunes culpa chuva concentrada e gestões anteriores por aumento de mortes em temporais

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CLAYTON CASTELANI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O aumento das mortes relacionadas a chuvas na cidade de São Paulo foi atribuído pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) às precipitações concentradas em áreas específicas e ao atraso na construção de um piscinão contratado em 2015 pela gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT).

Procurada, a equipe do atual ministro da Fazenda afirmou que Nunes “quer reviver 11 anos atrás”.

Quatro mortes relacionadas a temporais foram registradas na capital paulista desde dezembro do ano passado. O número já supera os três óbitos contabilizados pela Defesa Civil estadual no verão anterior.

Duas das vítimas da atual temporada de chuvas -o casal Marcos da Mata Ribeiro, 68, e Maria Deusdete, 67- estavam em um carro tragado em 16 de janeiro pelo transbordamento do córrego do Morro do S, na Vila Andrade, na zona sul do município. O local está na região que poderia ser beneficiada pela construção de um reservatório no distrito vizinho, o Capão Redondo.

Nunes apresentou cópia de um contrato de R$ 179 milhões assinado durante a gestão Haddad para uma série de obras relacionadas ao prolongamento da av. Carlos Caldeira Filho e que inclui o tanque de contenção do córrego Água dos Brancos, nas proximidades da av. Ellis Maas.

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“Desde a época da assinatura do contrato, até então, nada foi feito, absolutamente nada, nem projeto, e a gente retomou. Eu dei início, em 2023, a essas obras aportando um recurso de quase R$ 200 milhões”, afirmou Nunes.

As obras do piscinão começaram em 2022. A conclusão estava prevista para o segundo semestre do ano passado, mas isso não aconteceu. Nunes também responsabiliza gestões anteriores e a presença de rochas no solo pelo adiamento da entrega.

“Acabou atrasando porque [nem] sequer haviam feito as desapropriações em locais com muitos imóveis e a gente não pôde fazer a sondagem. Aí, eu desapropriei, paguei os proprietários, fiz as demolições, e a gente começou a fazer a obra. Nesses locais, observou-se que havia rochas e isso atrasou o trabalho”, disse o prefeito.

Nunes também criticou análises de especialistas que afirmaram à Folha não haver neste ano chuvas mais intensas do que na temporada anterior.

A mais recente morte na capital ocorreu no último domingo (25). Romeu Maccione Neto, 75, se afogou em um ponto alagado na Vila Guilherme, na zona norte. O prefeito citou este caso como consequência de chuvas que caem em curtíssimo espaço de tempo em áreas relativamente pequenas da cidade.

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No último domingo, durante a chuva que resultou na morte na Vila Guilherme, o CGE Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da prefeitura) registrou uma concentração de 66,8 milímetros de chuva acumulados durante uma hora em uma estação localizada no Jaçanã, na mesma região. Na mesma data, a média de toda a cidade foi de 12 milímetros.

“Você tem hoje, com a questão das mudanças climáticas, um efeito muito complexo que é um grande volume de água em um espaço pequeno de tempo”, argumentou o prefeito. “Então, não é correto, não é honesto você fazer uma avaliação de precipitação de água na cidade inteira.”

Dados do CGE mostram que janeiro acumula 211,2 milímetros de chuva até esta segunda (26), o equivalente a 82,4% dos 256,4 milímetros esperados para o mês.

Uma das mortes durante eventos climáticos na atual temporada de chuvas não possui relação com questões relacionadas a obras de drenagem e contenção de água. Em 10 de dezembro, Claudineia Perri Castiglioni, 54, morreu atingida por um muro que caiu durante uma ventania.

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