O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja na noite desta sexta-feira (20) para Bogotá, na Colômbia, onde participará, no sábado (21), do I Fórum de Alto Nível CELAC-África e da X Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).
A presença de Lula reforça o compromisso do Brasil com a integração da América Latina e do Caribe, em um contexto de fragmentação global, unilateralismos e pressões extrarregionais. Desde 2023, o presidente brasileiro tem participado de todas as reuniões de alto nível da CELAC, o único mecanismo de diálogo e concertação da região.
O Fórum CELAC-África, precedido por três dias de debates entre especialistas, visa retomar o diálogo Sul-Sul entre as duas regiões, que juntas reúnem cerca de metade dos membros da ONU e um quarto da população mundial. Os painéis abordarão temas como cooperação para o desenvolvimento, agricultura, energia, clima, saúde, segurança, reparações históricas, empreendedorismo, comércio, economia e infraestrutura. A iniciativa retoma parcerias passadas, como a América do Sul-África (ASA), de 2006 a 2013, e reflete afinidades históricas, culturais e econômicas, com economias dinâmicas e complementares.
A X Cúpula da CELAC proporcionará reflexões sobre a conjuntura regional e internacional, com foco em desafios como desenvolvimento econômico, combate à fome e à pobreza, mudança climática, crime organizado e segurança alimentar e nutricional. Representantes de países africanos participarão como convidados. Confirmados estão os presidentes colombiano Gustavo Petro, uruguaio Yamandú Orsi e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, além de ao menos 20 chanceleres.
Entre os temas, destacam-se tensões regionais, como a situação na fronteira entre Colômbia e Equador, onde relatos de mortes geraram preocupação no Itamaraty. O governo brasileiro defende a consolidação da região como zona de paz na declaração final. Ainda não há previsão sobre como o evento tratará a situação de Cuba, mas o Brasil fará doações humanitárias de 20 mil toneladas de arroz com casca, 200 toneladas de arroz polido, 150 toneladas de feijão preto e 500 toneladas de leite em pó, via Programa Mundial de Alimentos.
A cúpula avaliará iniciativas concretas, como o plano de segurança alimentar e nutricional da CELAC e o Fundo de Apoio à Resposta Integrada a Desastres Naturais e Climáticos (FACRID), além de propor a criação de uma agência espacial regional. A CELAC tem aprofundado diálogos externos com União Europeia, China e África.
Ao final, a presidência pro tempore da organização passará da Colômbia para o Uruguai, que apresentará as prioridades de sua gestão. A América Latina e o Caribe, com 33 países, 20 milhões de quilômetros quadrados e 650 milhões de habitantes, formam uma potência agroalimentar, produzindo alimentos para três vezes sua população. O Brasil mantém fluxo comercial de R$ 100 bilhões com a região, superior ao com a União Europeia e os Estados Unidos, e destino de 40% de suas exportações de manufaturados.











