Rio, 16 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebraram ontem, em encontro no Rio, acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Ambos falaram da importância do multilateralismo e do livre-comércio. O tratado será assinado hoje, no Paraguai.
“O acordo Mercosul-UE envia uma mensagem poderosa. Ele diz: bem-vindos ao maior mercado do mundo e à maior zona de livre-comércio do planeta. Esse é o poder da parceria e da abertura”, disse Ursula.
Já Lula afirmou que o tratado “é bom para o Brasil, é bom para o Mercosul, é bom para a Europa”. “E é bom, e muito bom, sobretudo para o mundo democrático e para multilateralismo”, declarou o brasileiro.
Segundo Ursula, a assinatura do pacto hoje “será apenas um primeiro passo”. “Os próximos capítulos ainda precisam ser escritos. A história só será um sucesso completo quando pessoas e empresas puderem sentir os benefícios do nosso acordo. E isso precisa acontecer rapidamente. Quando entregarmos esses resultados, será uma história de sucesso escrita por 700 milhões de pessoas”, disse.
O acordo que será assinado em Assunção hoje prevê a criação da maior zona de livre-comércio do planeta, além da eliminação de tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos.
“O acordo multiplicará oportunidades como nunca antes. Com acesso mútuo a mercados estratégicos. Regras claras e previsíveis. Padrões comuns. E cadeias de suprimento que se transformam em verdadeiras rodovias para investimentos”, afirmou Ursula depois do encontro com Lula, que ocorreu no Palácio do Itamaraty.
COMMODITIES
Após a reunião bilateral, Lula afirmou que o Brasil não pretende continuar só exportando commodities.
“Não nos limitaremos ao eterno papel de exportadores de commodities. Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado. O acordo prevê dispositivos que incentivam empresas europeias a ampliarem seus investimentos”, disse Lula em seu pronunciamento.
“Já somos grandes provedores de produtos agropecuários para a União Europeia. Nossa parceria vai contemplar cadeias de valor estratégicas para a transição energética e transição digital”, declarou o petista.
Ele afirmou que o acordo vai além da dimensão econômica. “A União Europeia e o Mercosul compartilham valores como o respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. Mais diálogo político e mais cooperação vão garantir padrões elevados de respeito aos direitos trabalhistas e a defesa do meio ambiente”, disse.
Lula não deve viajar a Assunção para a assinatura do acordo, que contará com a representação do Brasil pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A expectativa do Planalto é que o tratado, negociado desde 1999 com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, membros fundadores do bloco sul-americano, seja ratificado no primeiro semestre.
O presidente brasileiro ainda acrescentou que em seu atual governo, foram concluídos três importantes acordos comerciais para o Mercosul: com a União Europeia, com a Associação Europeia de livre-comércio (EFTA) e com Singapura.
“Continuaremos trabalhando para abrir mais mercados”, afirmou.
Estadão Conteúdo












