O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou a aliados que pretende conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na próxima semana. A declaração foi feita durante um encontro com parlamentares do PSOL e da Rede, realizado na tarde desta quarta-feira, no Palácio da Alvorada, para oficializar o apoio da federação à candidatura do petista à reeleição e publicada pelo jornal O GLOBO.
Segundo relatos de dois participantes da reunião, Lula defendeu uma articulação internacional para encerrar a guerra na Ucrânia e voltou a criticar a atuação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, afirmou que conversou nos últimos dias com o presidente da China, Xi Jinping, e com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, sobre o conflito e que pretende falar também com Trump na próxima semana. De acordo com os relatos, o presidente não informou se aproveitará o contato para tratar de outros temas da relação entre Brasil e Estados Unidos, marcada por tensão após a nova imposição de tarifas do governo americano sobre produtos brasileiros e pelas sanções adotadas contra autoridades brasileiras, como a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) foi procurada, mas não respondeu. Uma pessoa que acompanha as conversas afirmou que ainda não há uma data definida para o telefonema. Mais cedo, em entrevista concedida nesta quarta-feira, Lula já havia dito que pretendia conversar com Trump, mas sem indicar quando isso ocorreria.
— Na semana passada, liguei para o Xi Jinping para falar da necessidade do Conselho de Segurança se reunir. Ontem falei com meu amigo Putin para eles se reunirem e vou falar com o Trump também. São cinco pessoas, se reúnam, tomem um café, um vinho, um uísque, qualquer coisa (…) Você não tem, a nível internacional, uma esfera para discutir isso (conflitos) e chamar a negociação. Eu falei para o Putin e para o Xi Jinping e vou falar para o Trump: se reúnam, pelo amor de Deus. São os membros mais importantes do Conselho de Segurança, as três maiores potências. Se reúnam e coloquem o fim nesse conflito — afirmou Lula em entrevista ao canal Os Três Elementos.
Ainda segundo participantes da reunião, Lula voltou a mencionar o risco de interferência do governo Donald Trump nas eleições brasileiras e citou nominalmente o presidente americano e o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmando que ambos demonstraram interesse no fortalecimento da direita na América Latina.
Durante o encontro, o presidente também avaliou que a eleição deste ano será difícil e defendeu a mobilização da militância nas ruas e nas redes sociais. Conforme os relatos, Lula apontou como prioridades de um eventual quarto mandato propostas nas áreas de educação, ciência e tecnologia, defesa e políticas voltadas à terceira idade. O petista afirmou ainda que não pretende disputar a Presidência pela quarta vez para repetir ações de governos anteriores.
Lula voltou a criticar o modelo de distribuição das emendas parlamentares, afirmando que o governo fica engessado diante da falta de recursos para investimentos e que o tema precisará ser enfrentado em um novo mandato. Também incentivou candidaturas de partidos de esquerda ao Congresso, ressaltando a importância de formar uma base parlamentar capaz de apoiar projetos considerados de interesse da população.
O presidente também foi questionado sobre sua participação nos debates eleitorais. Segundo os relatos, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, que acompanhava a reunião, afirmou que atualmente existem mais de 30 convites para eventos desse tipo e que a definição ficará a cargo da coordenação da campanha. A expectativa é de que todos os partidos aliados tenham ao menos um representante na coordenação da campanha.












