Governo avalia como ruim eventual reunião entre Flávio e Trump, mas não vai atuar para impedir encontro

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Governo avalia como ruim eventual reunião entre Flávio e Trump, mas não vai atuar para impedir encontro

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MARIANA BRASIL PATRÍCIA CAMPOS MELLO
BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O governo Lula (PT) avalia como negativa a perspectiva de encontro entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vem sendo articulado pelo senador brasileiro. Apesar da preocupação, o Brasil não deve atuar para impedir a conversa entre os dois.

Após a última visita do presidente brasileiro à Casa Branca, Lula reiterou não acreditar em uma interferência de Trump no processo eleitoral brasileiro e que acredita no respeito mútuo nesse caso.

A possível recepção de Flávio pelo governo ocorre, por outro lado, em um momento crítico da pré-campanha do filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência da República, com as recentes revelações de suas conexões com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Como revelou o site The Intercept Brasil, Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre seu pai. O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção. Desde então, o senador vem tentando conter os danos para a pré-campanha e enfrenta uma crise de confiança entre aliados.

Na primeira pesquisa do Datafolha após a eclosão do caso, Lula ampliou de 3 para 9 pontos a vantagem sobre o senador na simulação de primeiro turno, marcando 40% ante 31% do rival.

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Há uma semana, Lula estava em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais do levantamento: 38% a 35%. No cenário do segundo turno, a igualdade em 45% virou agora uma vantagem de 47% a 43% para o petista.

Mesmo com os vínculos anteriores entre o governo Trump e a família, integrantes do governo brasileiro não temem uma intervenção no momento. Mais do que uma preocupação com o encontro em si, a avaliação de auxiliares do Planalto é de que o resultado da reunião é que merecerá atenção do governo brasileiro.

Segundo esses interlocutores, contatos pregressos da família Bolsonaro com o líder americano foram prejudiciais ao Brasil, a exemplo das mobilizações feitas por Eduardo Bolsonaro em prol da libertação de seu pai da prisão.

De lá para cá, a avaliação de governistas é de que as movimentações da família colocaram o Brasil em uma posição de subserviência e atrapalharam negociações entre os dois governos, como na busca de reversão do tarifaço.

Aliados de Flávio dizem que a ida aos EUA está confirmada e que Flávio deve desembarcar na terça (26) em Washington, mas que ainda não há uma data para o encontro. A Casa Branca ainda não confirmou o encontro.

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Na manhã de quinta-feira (21), em Brasília, Flávio disse que não iria responder a respeito da possível agenda com Trump. “Vocês têm que perguntar à Casa Branca”, afirmou a jornalistas ao sair do Senado.

Na oasião, o senador negou que ele ou Eduardo tenham solicitado o encontro. Auxiliares de Flávio evitaram dar detalhes. O coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que não houve, por parte de Flávio, um pedido de agenda com o presidente americano e que talvez tenha havido um convite.

Não seria algo sem precedentes uma visita de um candidato presidencial à Casa Branca durante o governo Trump. Em maio do ano passado, o presidente americano recebeu o candidato à presidência da Polônia, Karol Nawrocki, no Salão Oval, duas semanas antes da eleição polonesa.

Nawrocki, que era um candidato outsider que se alinhava muito a Trump, estava empatado com o presidente Andrzej Duda. Aliados de Duda acusaram Trump de tentar interferir no pleito. Nawrocki acabou vencendo a eleição no segundo turno– e voltou à Casa Branca em setembro.

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