Direita fecha chapa majoritária em SP com Eduardo Bolsonaro como suplente

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Direita fecha chapa majoritária em SP com Eduardo Bolsonaro como suplente

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Salvador, 5 – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou ontem que o atual vice, Felício Ramuth (MDB), continuará compondo sua chapa na disputa pela reeleição. Além de Guilherme Derrite (PP), que já havia sido confirmado, a chapa majoritária da direita terá também como candidato ao Senado o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), André do Prado (PL), cujo primeiro suplente será o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), cassado pela Câmara em dezembro do ano passado.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vai ocupar a suplência mesmo morando atualmente nos Estados Unidos, desde fevereiro de 2025. Sua presença na chapa, contudo, carrega riscos jurídicos. Isso porque ele teve o mandato cassado por excesso de faltas na Câmara e ainda é réu em ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado do crime de coação – por articular nos EUA sanções ao Brasil e a autoridades do País.

Conforme a denúncia acolhida no STF, Eduardo permaneceu no território americano com o objetivo de interferir no julgamento do pai, que foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

André do Prado já havia confirmado a possibilidade de ter Eduardo de suplente, em entrevista ao Estadão publicada no fim de abril. No vídeo anunciando sua pré-candidatura, o presidente da Alesp se colocou como “substituto” de Eduardo e fez acenos ao bolsonarismo, chamando a prisão do ex-presidente de injusta e dizendo que assumiu um compromisso com seu primeiro suplente em várias pautas, entre elas, a anistia.

OUTROS NOMES

Mas, além de Derrite e André do Prado, a direita deve ter outros candidatos ao Senado em São Paulo. O Podemos já sinalizou que pretende lançar o deputado federal Delegado Palumbo (SP) ou o empresário Geraldo Rufino. O Novo mantém a pré-candidatura do deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (SP).

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Ontem, em entrevista para comemorar um ano do programa “São Paulo pra Toda Obra”, Tarcísio afirmou que pretende conversar com os partidos aliados para tentar alcançar “ao máximo a convergência até o período das convenções”.

O apoio de Eduardo a André do Prado é questionado por integrantes do bolsonarismo, que criticam o respaldo ao que consideram um deputado estadual que não faz parte da ala ideológica e é umbilicalmente ligado ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Um dos principais críticos à escolha do presidente da Alesp para a disputa ao Senado é Ricardo Salles. Ontem, antes da confirmação da chapa, ele afirmou não acreditar que o filho de Bolsonaro se sujeitaria a ser suplente “do pupilo do Valdemar Costa Neto”. “Eduardo nunca se deu bem com essa turma corrupta do Centrão fisiológico e anti-ideológico, que é justamente a ala valdemarista do PL. Ele não vai se deixar usar por eles”, escreveu no X.

‘ALINHAMENTO’

Na publicação em que confirmou o apoio ao presidente da Alesp, Eduardo Bolsonaro listou uma série de motivos para justificar a decisão, como o fato de André do Prado estar há 32 anos na vida pública, ser presidente do Legislativo paulista e ter dado sustentação ao governo Tarcísio.

“É um nome (…) com forte potencial para disputar o governo de São Paulo futuramente. E, principalmente: tem alinhamento nas pautas prioritárias, comprometendo-se a votar de forma convergente conosco em temas sensíveis”, escreveu o ex-deputado

Em 18 de dezembro do ano passado, a Mesa Diretora da Câmara cassou o mandato de Eduardo Bolsonaro, mas a medida não o tornou inelegível.

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Para Fernando Neisser, professor de Direito Eleitoral da FGV-SP, “há espaço” na Justiça Eleitoral para a discussão “sobre a cassação por faltas”. “Até onde tenho conhecimento, nunca houve análise de mérito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E, mesmo que houvesse, a composição da Justiça Eleitoral muda com frequência, e não é incomum que a Corte adote entendimentos diferentes sobre precedentes”, afirmou. “Já em relação ao processo criminal em andamento, uma eventual condenação até o prazo de registro das candidaturas, em 15 de agosto, tornaria Eduardo inelegível.”

A segunda vaga de suplente na chapa encabeçada pelo presidente da Alesp ficará com Fernando Fiori de Godoy, ex-prefeito de Holambra.

Natural de Guararema, André do Prado iniciou sua trajetória política como vereador na cidade, onde também foi vice-prefeito e prefeito. Atualmente, está em seu quarto mandato consecutivo na Assembleia paulista e chegou à presidência da Casa por meio de uma articulação de Valdemar Costa Neto.

CONFIANÇA

Embora não fosse a escolha inicial de Tarcísio para o posto, ele conquistou a confiança do governador ao viabilizar a aprovação de todos os projetos de interesse do Executivo, incluindo a privatização da Sabesp, a estatal de saneamento, a PEC da Educação e o programa de escolas cívico-militares. Hoje, é visto como um dos principais aliados de Tarcísio no Legislativo estadual.

Embora filiado ao partido de Bolsonaro, André do Prado vive uma situação inusitada na Alesp: é visto com bons olhos pela oposição, em especial, pelos deputados do PT, com quem costurou um acordo para ser reconduzido à presidência da Casa no ano passado.

Estadão Conteúdo 

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