Em um contexto global onde o conhecimento impulsiona a competitividade, o Brasil busca construir autonomia científica e tecnológica por meio da capacitação e repatriação de pesquisadores. Iniciativas públicas, como o programa Conhecimento Brasil do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), têm aprovado projetos que fortalecem instituições em todo o país, reduzindo dependências externas e alinhando a ciência ao desenvolvimento econômico e social.
O programa Conhecimento Brasil, financiado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), foca na atração de brasileiros que atuam no exterior ou concluíram doutorado e pós-doutorado fora do país. Na chamada mais recente, foram aprovados 599 projetos, com investimento de cerca de R$ 604 milhões, distribuídos em universidades, institutos de pesquisa e empresas nacionais. Essa distribuição contempla regiões como Norte, Nordeste e Centro-Oeste, historicamente subfinanciadas.
Histórias de pesquisadores ilustram o impacto dessas ações. O físico Deyvid do Carmo Silva, apoiado por bolsas do CNPq desde a iniciação científica, realizou pós-doutorado no exterior e retornou ao Brasil pelo Conhecimento Brasil. “Esse investimento contínuo em formação realmente funciona: ele forma pesquisadores preparados para atuar em qualquer lugar do mundo e cria as condições para que possamos voltar e contribuir para a ciência brasileira”, afirma ele.
Da mesma forma, a neurocientista Lívia Hecke Morais, bolsista desde a graduação, ampliou sua formação internacional e retornou para aplicar o conhecimento em instituições nacionais. “Sem apoio desde cedo, perdemos muitas pessoas com potencial. O Conhecimento Brasil chegou no momento certo, permitindo que minha ciência continuasse a fazer sentido e pudesse ser colocada a serviço do País”, destaca.
Ana Paula Nascimento de Lima, com carreira em centros internacionais, também retorna para consolidar linhas de pesquisa e parcerias. “Ciência não se faz sozinha. O papel do CNPq é garantir continuidade, autonomia e colaboração para que possamos construir um legado científico e tecnológico de longo prazo no Brasil”, disse ela.
Dados das chamadas do programa indicam que mais de 2,5 mil pesquisadores brasileiros em 56 países manifestaram interesse em regressar ou cooperar com instituições nacionais, revelando o potencial de retorno de talentos qualificados.
Essa estratégia integra esforços mais amplos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A ministra Luciana Santos enfatiza que “a soberania tecnológica constrói-se com investimento contínuo, políticas consistentes e profissionais qualificados que atuem aqui. Nossa missão é transformar recursos em capacidade produtiva, para que o Brasil decida, produza e inove com autonomia”.
Adicionalmente, o Governo publicou a Portaria GM/MPO nº 12/2026, que recompõe o orçamento do CNPq com R$ 186,3 milhões para formação, capacitação e fixação de recursos humanos. O presidente do CNPq, Olival Freire Júnior, considera essa medida positiva, embora insuficiente para estabilizar o fluxo de bolsas: “Com a recomposição de R$ 186 milhões no orçamento de bolsas do CNPq, voltamos ao patamar previsto na PLOA, recuperando cortes anteriores. Trata-se de medida positiva que expressa a sensibilidade do presidente Lula com os desafios da ciência e tecnologia”.











