DANIELA ARCANJO
FOLHAPRESS
O ministro das Relações Exteriores do governo Lula (PT), Mauro Vieira, vai receber no Itamaraty a delegação de deputados argentinos que chegou a Brasília nesta terça-feira (1º) para uma rodada de encontros com autoridades brasileiras na tentativa de neutralizar a crise entre os países vizinhos.
A princípio, a agenda do grupo não previa uma reunião com Vieira, que nesta quarta (2) estará no Uruguai para um encontro informal entre chanceleres do Mercosul em Montevidéu. Durante a tarde, porém, uma funcionária da pasta informou que os argentinos seriam recebidos no Itamaraty às 18h, sem especificar os assuntos que serão abordados.
A programação deve seguir na quarta (2), quando o grupo tem previsto um encontro com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, no Palácio do Planalto, e uma reunião com senadores, incluindo Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Nicolás Massor, o líder da delegação de nove deputados e uma senadora, afirmou que a iniciativa busca mostrar que a maioria do mundo político argentino não está de acordo com a postura do presidente Javier Milei em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Uma grande maioria da representação política da Argentina discorda totalmente dessa situação e repudia as declarações de Milei”, afirmou nesta segunda (31).
O deputado pela província de Buenos Aires se refere aos ataques do presidente argentino durante o lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), no final de julho. Na ocasião, o ultraliberal chamou o petista de ladrão, presidiário e “lixo socialista”, além de classificar o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de “lixo careca”.
Esses ataques iniciais levaram à convocação do embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, e do representante de Brasília em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos. Novos xingamentos que se estenderam pelas semanas seguintes fizeram o governo Lula dispensar Raimondi e manter Bitelli no Brasil, rebaixando de forma inédita as relações com o país vizinho.
Após a crise, Milei diminuiu consideravelmente suas atividades políticas e ficou 24 dias sem ir à Casa Rosada o que colaborou para que as agressões cessassem. Há dez dias, porém, o presidente argentino voltou a falar sobre Lula durante uma entrevista à rádio Mitre a respeito de seu ex-assessor, Fernando Cerimedo, preso por supostamente ter planejado a tentativa de assassinato da companheira.
Milei disse que o presidente brasileiro estaria por trás de uma susposta campanha online contra a Argentina, sem apresentar qualquer prova disso, e afirmou que um estudante ligado a Lula teria dado início ao boato de que, graças à crise econômica, os argentinos estão comendo carne de burro.







