O presidente americano, Donald Trump, insistiu nesta quarta-feira (14) que a Groenlândia é “vital” para os Estados Unidos e pediu a colaboração da Otan para transmitir a mensagem à Dinamarca, antes de uma reunião na Casa Branca com autoridades de alto escalão.
Desde que voltou à presidência, há quase um ano, Trump fala em assumir o controle dessa ilha estratégica e pouco povoada no Ártico. Mas endureceu o tom após o ataque americano na Venezuela, em 3 de janeiro, que derrubou Nicolás Maduro.
“Os Estados Unidos precisam da Groenlândia por motivos de Segurança Interna. Ela é vital para a Cúpula Dourada que estamos construindo”, afirmou Trump, que demonstrou intenção de se apropriar dessa ilha do Ártico, um território autônomo da Dinamarca.
“A Otan será mais formidável e eficaz quando a Groenlândia estiver nas mãos dos ESTADOS UNIDOS. Qualquer coisa abaixo disso é inaceitável”, escreveu o presidente americano nas redes sociais.
Em seguida, voltou a enviar uma mensagem dirigida especificamente à Otan: “Digam à Dinamarca para sair daí, JÁ! Dois trenós de cães não bastam! Só os Estados Unidos podem fazer isso!”, disse em sua plataforma Truth Social.
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, solicitou a reunião ao secretário de Estado americano, Marco Rubio.
O encontro, previsto oficialmente para as 10h30 (12h30 no horário de Brasília), ocorrerá na Casa Branca após o vice-presidente JD Vance pedir para participar.
A chefe da diplomacia da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, também estará presente.
Løkke disse esperar “esclarecer alguns mal-entendidos”, embora ainda não esteja claro se o governo Trump também considera a situação um mal-entendido.
Questionado por jornalistas na terça-feira sobre declarações do primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, de que a ilha prefere continuar como território autônomo da Dinamarca, Trump respondeu: “É problema dele”.
“Não sei nada sobre ele, mas isso vai ser um grande problema para ele”, disse Trump.
Uma violação da soberania da Groenlândia acarretaria “consequências em cascata” e “inéditas”, advertiu o presidente francês, Emmanuel Macron.
Os habitantes da Groenlândia “podem contar conosco”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
“A Groenlândia pertence a seus habitantes”, acrescentou.
– O perigo russo ou chinês –
Trump argumenta que seu país precisa do território porque, caso contrário, Rússia ou China o ocupariam.
As duas potências intensificaram sua atividade no Ártico, onde o gelo derrete devido às mudanças climáticas, mas nenhuma delas reivindica a Groenlândia.
À espera da reunião desta quarta-feira, a Dinamarca tentou reforçar sua posição ao anunciar que ampliará sua presença militar na Groenlândia.
“Continuaremos reforçando a nossa presença militar na Groenlândia, mas também insistiremos no âmbito da Otan por mais exercícios e uma presença maior da Otan no Ártico”, escreveu o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, em comunicado à AFP.
Incorporar a Groenlândia e seus 2,16 milhões de km² colocaria os Estados Unidos à frente da China e do Canadá, tornando-os o segundo maior país do mundo em extensão territorial, atrás apenas da Rússia.
Em março, Vance fez uma visita não solicitada à Groenlândia, mas esteve apenas em Pituffik, a histórica base americana na ilha, sem contato com os cerca de 57 mil habitantes locais.
– A cooperação é possível? –
“Se os Estados Unidos continuarem com a ideia de que ‘precisam ter a Groenlândia a qualquer custo’, a reunião pode ser muito curta”, disse Penny Naas, vice-presidente sênior do German Marshall Fund, um centro de estudos de Washington.
“Com uma nuance ligeiramente diferente, isso poderia levar a uma conversa distinta”, acrescentou.
A Dinamarca rejeitou as alegações dos Estados Unidos de que não estaria protegendo a Groenlândia de Rússia e China. Segundo Copenhague, o país investiu quase 14 bilhões de dólares (R$75,2 bilhões) para reforçar sua presença militar no Ártico.
A Dinamarca é membro fundador da Otan e suas forças armadas se uniram aos Estados Unidos nas guerras do Afeganistão e do Iraque.
AFP












