A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta quarta-feira (10/12), a Operação CriptoCar. A ação visa combater um grupo especializado em estelionato eletrônico e lavagem de dinheiro por meio de criptomoedas. No total, foram cumpridos 10 mandados de prisão temporária e 16 de busca e apreensão.
A operação, que ocorreu em quatro cidades de São Paulo, contou com o apoio do Ministério da Justiça e da Polícia Civil paulista. O objetivo era desarticular a organização criminosa e sequestrar bens no valor de R$ 3,399 milhões.
As investigações começaram após uma fraude na venda de um veículo de luxo anunciado em uma plataforma digital. O prejuízo inicial foi de R$ 530 mil. Com os trabalhos, foram identificadas outras vítimas em vários estados, como Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Bahia.
Os criminosos aplicavam um sofisticado golpe de engenharia social. No caso investigado, se passaram por vendedores de um Mercedes CLA45 AMG. Para isso, criaram uma narrativa elaborada que envolvia uma suposta indenização de uma empresa multinacional.
Para dar credibilidade, integrantes do grupo se fingiam de representantes dessa multinacional e de funcionários de concessionárias. Eles usavam documentos adulterados e números de telefone com códigos de área correspondentes aos locais das fraudes. Após as negociações, as vítimas eram instruídas a fazer transferências para contas de empresas ligadas a corretoras de criptomoedas.
Criptomoedas para lavar o dinheiro rapidamente
O diferencial do grupo era o uso de criptoativos para lavar o dinheiro de forma rápida. Com apoio do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), a PCGO desvendou o método complexo.
“Antes das transferências, os criminosos, de posse dos documentos das vítimas, abriam contas fraudulentas em corretoras de criptomoedas em nome das próprias vítimas. Para burlar os sistemas de reconhecimento facial, adulteravam digitalmente documentos das vítimas, inserindo imagens de integrantes do grupo criminoso”, explicou a Polícia Civil.
O valor transferido pelas vítimas era imediatamente convertido em Bitcoin nas contas fraudulentas. Em seguida, os ativos eram pulverizados para carteiras digitais privadas, o que dificultava o rastreamento.
“Posteriormente, os criptoativos eram enviados para empresas de balcão (Over the Counter – OTC) e doleiros especializados reconvertiam os valores em moeda corrente. Eles repassavam o dinheiro para empresas, simulando licitude e integrando os recursos ao sistema financeiro”, informou a PCGO.
Empresas movimentaram cerca de R$ 56,9 milhões em 6 meses
O grupo possuía diferentes núcleos: um financeiro e operacional, responsável pelas carteiras de criptomoedas e pela coordenação das fraudes; um núcleo de lavagem, com doleiros e empresários que recebiam os valores; e fornecedores de identidade, que cediam suas imagens para a abertura das contas falsas.
Empresas ligadas a um dos investigados movimentaram cerca de R$ 56,9 milhões em apenas seis meses. A investigação identificou uma estrutura criminosa organizada, com forte atuação no ABC Paulista.
Até o momento, pelo menos oito vítimas foram identificadas em vários estados. Os 10 investigados presos ocupavam diferentes cargos na estrutura. Os 16 mandados de busca e apreensão aconteceram em endereços residenciais e comerciais dos investigados e de familiares envolvidos, nas cidades de Guarujá, Santo André, Mauá e São Paulo.
A decisão de sequestro de bens corresponde ao valor identificado no rastreamento de criptoativos, que totaliza 5,854 Bitcoins. A medida visa garantir o ressarcimento das vítimas e descapitalizar a organização.
Preliminarmente, os investigados devem responder pelos crimes de estelionato ou fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de capitais.
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