Uma megaoperação da Polícia Civil de Goiás prendeu 51 integrantes de uma facção criminosa e expôs a atuação violenta de um braço do grupo instalado em Rio Verde, investigado por tráfico de drogas, homicídios, tortura, sequestro e ameaças contra forças de segurança pública. A ação foi deflagrada nesta terça-feira (14/4), na quarta fase da Operação Destroyer, batizada de “Ruptura”, e segue com equipes nas ruas para cumprir os mandados restantes.
A ofensiva é coordenada pelo Grupo Especial de Repressão a Narcóticos (Genarc) de Rio Verde e mobiliza mais de 250 policiais civis em cidades de Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso. Ao todo, são 61 mandados de prisão temporária, 45 de busca e apreensão e o sequestro de bens e valores estimados em aproximadamente R$ 10,5 milhões.
Do total de presos nesta etapa, 44 foram detidos somente em Rio Verde. Segundo a Polícia Civil, a operação integra uma estratégia permanente de combate ao crime organizado, baseada em inteligência, atuação regionalizada e repressão firme e qualificada. Nos últimos 30 dias, mais de 240 medidas judiciais já haviam sido cumpridas dentro da investigação.
O delegado Jorge Mesquita, do Genarc de Rio Verde, afirmou que o trabalho começou após a circulação de áudios com ameaças e tentativa de domínio territorial da facção. Ele explicou que, ao mesmo tempo, a polícia passou a identificar aumento de homicídios e apreensões de drogas associadas a armas de fogo.
“Então, essa investigação iniciou através da divulgação de áudios com a intenção de domínio territorial por essa facção. E, paralelamente, a gente percebeu que teve uma crescente de homicídios, além disso, apreensões de drogas associadas a armas de fogo”, afirmou.
Segundo o delegado, a intensificação dos crimes foi percebida entre junho e dezembro, período em que a investigação avançou até a operação deflagrada nesta terça-feira.
“Então, de junho até dezembro, a gente percebeu a intensificação desses números, o que despertou a nossa atenção e a gente começou a reprimir tanto o tráfico de drogas como os crimes de homicídio. E, paralelamente a isso, a gente inaugurou a investigação por criminalização criminosa, que a gente deflagrou hoje”, disse.
Granadas, homicídios e a rota da facção
Entre os materiais apreendidos, duas granadas chamaram a atenção dos investigadores. Mesquita contou que os artefatos foram localizados em novembro do ano passado e em janeiro, e relacionados aos áudios em que integrantes do grupo ameaçavam explodir forças de segurança.
“As duas granadas foram apreendidas em novembro do ano passado e em janeiro. A gente associou essas granadas aos áudios que eles divulgaram, que explodiam, as forças de segurança. Então, a gente tomou essas ameaças como sérias, já que a gente conseguiu apreender esses artefatos”, explicou.
Delegado Jorge Mesquita: “Criminosos são todos goianos e alguns se mudaram para outras cidades, especialmente Rio de Janeiro”
A investigação também apontou que parte dos homicídios atribuídos ao grupo tinha como vítimas os próprios integrantes da facção. De acordo com o delegado, as mortes eram ordenadas por lideranças que estariam no Rio de Janeiro, sob a suspeita de que alguns faccionados estivessem delatando o esquema ou tentando sair da organização.
“A maioria dos casos que a gente percebeu eram de próprios faccionados que eram mortos a mando da facção. Ou seja, eles pensavam que esses faccionados estavam delatando ou estavam tentando sair da facção. Por isso, ocorriam os homicídios a mando de lideranças da facção, que estão no Rio de Janeiro”, afirmou.
Mesquita informou ainda que os alvos presos em outros estados são goianos que se mudaram para fora de Goiás, mas continuavam vinculados ao crime organizado de Rio Verde. A maior parte deles, segundo a Polícia Civil, estava no Rio de Janeiro, onde funciona a liderança da facção.
“São todos goianos que se mudaram pras outras cidades, especialmente em Rio de Janeiro, onde está localizada a liderança da facção, mas estavam vinculados ao crime organizado em Rio Verde”, disse.
Sobre a escolha de Rio Verde como base de atuação do grupo, o delegado apontou dois fatores principais: o peso econômico do município e a posição estratégica da cidade na rota entre Mato Grosso e São Paulo.
“A gente acredita tanto que é o poder econômico da cidade de Rio Verde, é uma cidade grande que está aqui em Goiás, como se tratar de uma cidade que está na rota entre Mato Grosso e São Paulo. Então, provavelmente essa atração escolheu Rio Verde devido a esses dois fatores”, afirmou.
A Polícia Civil informou que a Operação Destroyer deve ter novas fases. Nas quatro etapas realizadas até agora, 129 pessoas já foram presas por envolvimento com a facção investigada.
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