Ginecologista é suspeito de abusar de pacientes em Goiânia

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Ginecologista é suspeito de abusar de pacientes em Goiânia

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A Polícia Civil de Goiás investiga o ginecologista e obstetra Marcelo Arantes e Silva por suspeita de abusar de pelo menos cinco pacientes em Goiânia e em Senador Canedo, na Região Metropolitana da capital. As denúncias, registradas entre 2017 e 2026, descrevem toques íntimos, condutas inadequadas durante consultas e outras práticas que são apuradas pela Delegacia Estadual de Atendimento à Mulher (Deaem).

Os relatos chegaram de forma independente, mas apresentam semelhanças relevantes. Quatro vítimas teriam sido atendidas em uma unidade particular no setor Campinas, em Goiânia, e outra mulher relatou atendimento em uma clínica de Senador Canedo. A polícia não descarta a existência de mais vítimas, diante do intervalo de quase uma década entre os casos já identificados.

A investigação foi aberta há cerca de 40 dias, embora o primeiro episódio conhecido seja de 2017. Para a polícia, a repetição dos relatos indica um possível padrão de comportamento, baseado na construção de confiança com as pacientes antes da prática dos abusos.

Com mais de 30 anos de atuação, Marcelo Arantes trabalha na área de saúde da mulher, com atendimentos voltados à prevenção e tratamento de doenças, além de procedimentos cirúrgicos, técnicas de reprodução assistida e intervenções estéticas íntimas.

De acordo com a apuração, ele atendia em três locais. Os casos já formalizados se concentram no Centro Médico Campinas, em Goiânia, e no Instituto de Medicina Canedo. A Clínica Humana, também na capital, foi citada, mas até o momento não há registro de denúncia formal relacionada a atendimentos naquele endereço.

Fotografia divulgada pela Polícia Civil do médico investigado

A divulgação do nome e da imagem do médico foi autorizada pela delegada Amanda Menuci, como forma de incentivar outras possíveis vítimas a procurar a polícia. Segundo ela, os depoimentos apresentam um mesmo tipo de dinâmica.

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“É exatamente dessa forma operante de um predador sexual, que é assim que a polícia trabalha nesses casos. Como ele tem autoridade total sobre a coisa, ele conhece as técnicas, às vezes, uma vítima demora a perceber que ela está sendo abusada, de fato. Então, ali ele ganha confiança dela, ele ultrapassa essa barreira inicial”, disse a delegada.

Relatos apontam avanço gradual e condutas indevidas

As investigações indicam que o comportamento do médico começava de forma sutil e evoluía ao longo das consultas. A delegada explica que, inicialmente, havia toques ainda com a paciente vestida, seguidos de comentários e perguntas de cunho sexual, até a ultrapassagem de limites durante o exame.

“Ele começa com toques físicos indesejados, mas ainda com roupa, com comentários sexuais, com perguntas para essas vítimas de coisas que não fogem da esfera médico-paciente. E aí, após ultrapassar essa barreira, ele vai para a consulta e já se sente confortável para as práticas sexuais. O modo operativo dele começa calado, ele começa com atos mais leves, mais sutis, que causam aquela dúvida mesmo, e muitas vezes é parcelado em mais de uma consulta”, disse Amanda Menuci.

Ainda segundo a delegada, algumas vítimas disseram que, na primeira consulta, saíram com essa dúvida e, ao retornarem, de fato, sofreram os crimes sexuais.

Uma das pacientes relatou que o médico agia com aparente cordialidade antes de avançar para o abuso, já durante o exame.

“Ele vem muito gentil, te ajuda a deitar, passa a mão na perna da gente, na panturrilha. Aí é quando a gente tá completamente sem a roupa mesmo que ele vai e faz alguma coisa. Ele colocou, ele enfiou o dedo. Ele falou com questão de lubrificação, coisas que não tinham nada a ver com o procedimento. A gente sente, a gente sabe que isso não está normal, isso não é normal. Eu fiquei completamente imóvel, não tive coragem de fazer nada, não tive coragem”, contou a mulher.

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Além dos abusos, a polícia apura relatos de que o médico teria administrado medicamentos e hormônios sem consentimento. Há pelo menos dois casos em que pacientes afirmam ter recebido reposição de testosterona sem autorização.

Medidas cautelares e continuidade das investigações

A Polícia Civil chegou a pedir a prisão preventiva do médico, mas a Justiça negou a medida. Segundo a delegada, o entendimento foi de que outras cautelares seriam suficientes neste momento, entre elas a suspensão do registro profissional, já efetivada para impedir novos atendimentos.

Mesmo sem a prisão, a investigação segue em andamento. A polícia deve ouvir peritos e novas testemunhas antes de concluir os inquéritos. A delegada reforça o pedido para que outras possíveis vítimas procurem a corporação.

“A Polícia Civil segue trabalhando com afinco nesses casos. A gente vai agora ouvir peritos sobre a conduta desse médico, ouvir outras testemunhas para, de fato, finalizar nos próximos dias”, assegura Amanda Menuci.

“Quanto maior o número de vítimas, maior a responsabilização dele”, completa a delegada.

Por nota, a Clínica Humana informou que o médico não integra seu corpo clínico e que não possui vínculo com a instituição. Segundo o posicionamento, ele atuou apenas de forma pontual, utilizando o centro cirúrgico para procedimentos específicos, sem realizar consultas no local.

A defesa do médico não foi localizada, e ele ainda não prestou depoimento. O Conselho Regional de Medicina de Goiás informou que o registro foi suspenso por ordem judicial e que as denúncias são apuradas em sigilo.

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