O inquérito conduzido pela Polícia Civil concluiu que a corretora Daiane Alves Sousa, 43 anos, foi vítima de um crime premeditado e executada com dois disparos na nuca depois de ser atraída ao subsolo do condomínio onde morava. O síndico do prédio, Cléber Rosa de Oliveira, 49 anos, confessou o homicídio; o filho dele, Maicon Douglas de Oliveira, 27 anos, foi preso sob suspeita de ocultação de provas e obstrução da investigação.
Segundo a apuração, o crime ocorreu em 17 de dezembro de 2025. A investigação aponta que o síndico cortou a energia do apartamento de Daiane para forçá-la a descer até o quadro de luz no subsolo, onde a abordou sob ameaça de arma de fogo e a rendeu. Em gravação feita pela própria vítima no celular — peça-chave do inquérito — é possível vê-la descendo e ao encontrar o síndico ela comenta: “Ah, olha quem eu encontro!”
O aparelho de Daiane ficou 41 dias submerso em uma caixa de esgoto do condomínio; mesmo danificado, a perícia conseguiu recuperar o vídeo que registrou a abordagem e trechos com a voz atribuída ao síndico. A polícia interpreta a preservação dessa gravação como crucial para reconstruir a dinâmica inicial dos fatos e comprovar a estratégia de atração.
Síndico Cléber Rosa de Oliveira confessou o homicídio e indicou onde ocultou o corpo da vítima
As apurações apontam que, após ser rendida no subsolo, Daiane foi colocada em um veículo e levada a uma estrada de terra, fora das dependências do condomínio. Lá, a perícia constatou que ela foi morta com dois tiros disparados por uma pistola calibre .380, característica de execução e compatível com tentativa deliberada de evitar ruídos no prédio — por isso a hipótese de que os disparos ocorreram em local distante da residência.
A perícia técnica identificou vestígios de sangue em um almoxarifado próximo aos quadros de luz, mas o laudo concluiu que os disparos não foram efetuados nesse ponto. O sangue encontrado, segundo o delegado André Luiz Barbosa dos Santos, deve corresponder a lesões decorrentes de agressão anterior à execução, possivelmente uma pancada.
“O conjunto probatório — o vídeo, as perícias técnicas e o histórico de conflitos — demonstra que se trata de crime premeditado, praticado mediante emboscada”, afirma o delegado.
Motivação viria de conflitos e ações judiciais
A motivação descrita no inquérito tem relação direta com desavenças administrativas no condomínio. Daiane, além de corretora, era proprietária no prédio e vinha questionando a gestão financeira do síndico, chegando a mover ações judiciais contra ele. A investigação conclui que esses conflitos antecederam e provocaram o crime, enquadrando o homicídio como qualificado por motivo fútil e emboscada.
Cléber foi indiciado por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e fraude processual. O filho Maicon responde por participação na ocultação do corpo e auxílio para remoção e limpeza de vestígios.
Segundo a polícia, o corpo foi localizado em área de mata em Caldas Novas somente após indicação dada pelo próprio suspeito. A localização ocorreu após semanas de buscas e de movimentações que levantaram suspeitas entre os investigadores.
O delegado ressaltou que a descoberta do celular, apesar das tentativas de destruir ou esconder o aparelho, tornou inviável a tese de que o crime teria sido um evento isolado e não premeditado. Além do vídeo, foram reunidas outras evidências técnicas que permitiram traçar a sequência dos fatos desde a atração ao subsolo até a execução em local ermo.
O inquérito será remetido ao Ministério Público, que deve analisar o conjunto de provas e oferecer denúncia formal à Justiça nos próximos dias. A expectativa da Polícia Civil é que, com o encaminhamento da peça, se dê início à fase processual em que a acusação cobrará responsabilização penal pelos crimes apurados.
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