O Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus) apresentou, nesta terça-feira (16/12), o relatório da auditoria realizada nas maternidades municipais de Goiânia, durante reunião na Câmara Municipal. O documento analisou a gestão das unidades Célia Câmara, Nascer Cidadão e Dona Íris no período de janeiro de 2023 a junho de 2025 e apontou falhas significativas na administração conduzida pela Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc), majoritariamente durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz (2021–2024).
Segundo o relatório, houve interrupções recorrentes de serviços essenciais, como desabastecimento de insumos e medicamentos, além de falhas na assistência a gestantes e recém-nascidos. Das 15 constatações feitas pela auditoria, apenas uma foi considerada em conformidade. As demais indicaram fragilidades persistentes na gestão, na prestação dos serviços e na execução dos recursos públicos.
Entre os problemas apontados estão o fechamento prolongado de ambulatórios, inativação de leitos de UTI e restrições no atendimento de urgência e emergência. A auditoria também registrou queda expressiva na média mensal de partos. Na Maternidade Dona Íris, a redução foi de 15% em 2024 em relação a 2023 e chegou a 84% em 2025. Nas demais unidades, as quedas variaram entre 17% e 20%.
Outro ponto destacado foi a insuficiência de equipes multiprofissionais para atender à capacidade instalada das maternidades, comprometendo a atenção obstétrica e neonatal. Diante do cenário, o Denasus recomendou a adoção de medidas administrativas e operacionais para garantir o funcionamento contínuo dos serviços e evitar a perda de recursos federais.
Novo modelo de gestão
Em agosto, a Prefeitura de Goiânia rescindiu o contrato com a Fundahc e transferiu a gestão das maternidades para organizações sociais. Embora o período não tenha sido analisado pela auditoria, dados da Secretaria Municipal de Saúde indicam retomada dos serviços. Entre setembro e novembro de 2025, foram registrados 25.139 atendimentos, alta de 71% em relação ao mesmo período do ano anterior, além da realização de 1.735 partos e 2.874 internações.
Dívidas e reestruturação
Segundo a Prefeitura, a atual gestão encontrou a saúde municipal com serviços paralisados e dívidas acumuladas. Apenas em 2025, foram pagos R$ 276 milhões referentes a débitos da gestão anterior. A administração afirma que a mudança no modelo de gestão foi necessária para reestruturar os serviços e restabelecer o atendimento à população.
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