Amado Batista é incluído na lista suja do trabalho escravo

amado-batista-e-incluido-na-lista-suja-do-trabalho-escravo
Amado Batista é incluído na lista suja do trabalho escravo

publicidade

O cantor goiano Amado Batista foi incluído na lista suja do trabalho escravo, atualizada na segunda-feira (6/4) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A acusação envolve duas propriedades mantidas pelo cantor localizadas em Goianápolis, na Região Metropolitana de Goiânia, após fiscalização realizada em 2024.

Segundo o documento, 14 trabalhadores foram submetidos a condições análogas à escravidão nas duas fazendas situadas na BR-060, sendo 10 no Sítio Esperança e quatro no Sítio Recanto da Mata. As irregularidades foram constatadas durante inspeções feitas entre os dias 19 e 29 de novembro de 2024.

A lista suja é um cadastro público mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego e reúne empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. A inclusão de um nome só ocorre após a conclusão do processo administrativo, com decisão definitiva e sem possibilidade de recurso. Em geral, o registro permanece por dois anos, e a exclusão depende da regularização da situação e da ausência de novos casos.

De acordo com o MTE, a atualização de 6 de abril de 2026 levou em conta fiscalizações feitas em 2024 nas duas propriedades de Goianápolis. O patrimônio de Amado Batista é estimado em cerca de R$ 1 bilhão, construído principalmente a partir de sua atuação no agronegócio. Ele é dono de extensas áreas rurais, que somam milhares de hectares e abrigam mais de 20 mil cabeças de gado, o que o coloca entre os cantores mais ricos do Brasil.

Leia Também:  Motta defende voto distrital misto para ‘evitar eleição de representantes do crime organizado’

As duas fazendas são vizinhas. Na área voltada à produção de leite, os fiscais inicialmente não encontraram indícios de trabalho forçado ou degradante. Mais tarde, porém, a equipe constatou jornadas que chegavam a 18 horas por dia.

No Sítio Recanto da Mata, quatro trabalhadores foram resgatados em condições degradantes e de jornada exaustiva, fato negado pela defesa. Já no Sítio Esperança, outras 10 pessoas foram encontradas em situação de jornada exaustiva.

O milionário cantor goiano e fotografia de local fiscalizado pelo Ministério do Trabalho

Ainda segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, a propriedade de cultivo de milho era arrendada. No local, o cantor teria contratado um prestador de serviços, responsável por empregar quatro operadores de máquinas, que pernoitavam em um galpão.

Quando a fiscalização chegou à fazenda de cultivo, as atividades estavam paralisadas. Dois trabalhadores, conforme o relato do órgão federal, recolhiam seus pertences para deixar o local depois de serem informados sobre a inspeção.

As condições encontradas eram extremamente precárias, informou o MTE. O local não tinha camas, e os trabalhadores dormiam sobre colchões no chão. Também não havia roupas de cama nem armários individuais para guardar objetos pessoais. A higiene era considerada insuficiente e não existia espaço adequado para as refeições, como mesas e cadeiras.

Em entrevistas, os trabalhadores afirmaram que estavam no sítio havia cerca de dois meses, sem registro, e que ainda não haviam recebido os salários do mês anterior. Eles também disseram cumprir jornadas entre 12 e 16 horas, todos os dias da semana.

Leia Também:  MDB mira discurso social e desenvolvimentista dez anos após liberalismo fiscal de ‘Ponte para o Futuro’

Defesa do cantor: irregularidades foram corrigidas

O advogado do cantor, Mauricio Carvalho, afirma que não houve resgate de trabalhadores nas fazendas e que as irregularidades apontadas nas duas propriedades já foram corrigidas. Segundo ele, todos os funcionários continuam trabalhando normalmente no local.

Sobre o Sítio Recanto da Mata, arrendado pelo cantor para o plantio de milho, a defesa informou que foram identificadas falhas na contratação de quatro trabalhadores, que seriam empregados de uma empresa terceirizada responsável pela abertura da área de plantio. “Foram identificadas irregularidades na contratação de quatro colaboradores que eram empregados de uma empresa terceirizada que fora contratada para fazer a abertura da área de plantio”, disse.

Mauricio afirmou ainda que, após a fiscalização em 2024, foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT). “Todas as obrigações dos colaboradores foram integralmente pagas e quitadas”, declarou.

Em relação ao Sítio Esperança, utilizado para a criação de bovinos para leite, a defesa disse que foram apontados ajustes a serem feitos na estrutura de moradia e nas áreas de convivência. Segundo o advogado, as obras necessárias já foram executadas e finalizadas.

O post Amado Batista é incluído na lista suja do trabalho escravo apareceu primeiro em Portal Notícias Goiás.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

Expresão Local
Resumo sobre Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você acha mais interessantes e úteis.

Saiba mais lendo nossa Política de Privacidade