Aos 43 anos de idade, Ismael Valiati Pinto, é um dos muitos lutadores do agro em busca de conseguir sobreviver unicamente de sua produção. Por enquanto, o dono da chácara Três Meninos, em Amambai, em Mato Grosso do Sul, ainda precisa ser um “Severino”, como ele se refere a um faz tudo, para pagar as contas.
Quando não está trabalhando nas propriedades da região, ele se dedica a ovinocultura.
“Já cheguei a ter 80 cabeças, mas com a estiagem, que acabou com o pasto, tive de ir me desfazendo dos animais”, disse o pecuarista.
Hoje, o rebanho é de 25 criadeiras matriz.
Fiéis bichinhos que se acostumaram ao dono ao ponto de atendê-lo só com um assovio.
“A Bíblia diz que as ovelhas conhecem seu pastor”, brinca ele.
Se precisa recolhê-las, dedos na boca e um único silvo, para atraí-las. O mesmo vale para a alimentação ou para leva-las ao pasto.
O ritual chama a atenção de todos os visitantes.
“Eu comecei a assoviar porque eu acho que gritar, além de incomodar, chama demais a atenção dos vizinhos. Você grita e eles pensam: ‘será que tem alguém brigando?’ Então, passei a assoviar e elas relacionaram esse som às necessidades. Por exemplo, se você assovia e mostra comida, ela sabe que aquele som significa que ela vai ser alimentada. Acho que é assim que ela entende. Esses animais são bons de memória e de vista!”, explica Ismael.
O procedimento, no entanto, semelhante ao que fazemos com nossos pets, faz com que o criador tenha um cuidado maior com o apego.
Ele sabe que será inevitável o abate.
“Algumas vezes eu falo para um comprador: Você quer o carneiro, eu te vendo. Mas você abate ele longe daqui.”
Claro que isso é exceção. Acontece mais quando um carneirinho guacho é rejeitado pela mãe e precisa receber mamadeira na boca. “Eu prefiro, mesmo, não ficar muito apegado”, completa.
Ismael sabe o quanto necessita dos cordeiros para sustentar a esposa, Vanessa, e três filhos do segundo casamento. Ele ainda é pai de um adolescente de 17 anos que mora com a mãe em Cuiabá.
Cauã e outros dois filhos menores — Bruno Vinicius, de 12 anos e João Miguel, de 9 anos– são os três meninos que justificam o nome da chácara.
Um nome que logo logo pode ter de ser mudado.
Afinal, há seis anos, nasceu Manoela.
“Por enquanto ela não reclama, mas acho que vai reclamar de não estar no nome”, brinca ele.
Outra mudança desejada é a subida de patamar da propriedade.
Ismael gostaria de transformar a criação, hoje, caseira, em escala industrial.
“É um projeto viver só disso. A gente chega numa certa idade, não quer mais trabalhar para os outros. Quer criar seu próprio animal e tirar o sustento dele”, justifica.
Aos poucos, vai procurando assessoria técnica especializada.
Ouviu de um amigo que o Senar presta consultoria gratuita e decidiu procurar o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.
Recebeu a visita de um técnico e já passou a ver melhorias.
Como preparar alimentação dos animais para o inverno e o tempo certo para apartar o filhote da mãe a fim de preservar a saúde do cordeirinho.
Mas além do negócio, é o amor à ovinocultura que move o produtor rumo a seu sonho.
Apesar de dizer que as ovelhas e os carneiros, “de vez em quando aprontam”, são animais que lhe garantem uma grande satisfação no convívio.
“Algumas vezes, eu tô fora trabalhando e um vizinho liga pra dizer que um carneiro meu pulou a cerca e foi pra propriedade dele. Aí tenho de largar o que estou fazendo pra ir lá pegar de volta. Mas tirando isso, é muito gratificante criar esses animais”, afirma o pequeno criador.
Que seu assovio possa chamar cada vez mais sucesso!












