MARIANA BRASIL
FOLHAPRESS
O governo Lula (PT) avalia que há uma tendência de que a relação do Brasil com os Estados Unidos seja normalizada após a vitória de maioria democrata nas eleições para o Congresso americano.
Por mais que a gestão petista já tivesse a intenção de manter uma relação pragmática com o governo de Donald Trump, o reforço democrata representa abertura maior do país com a política externa americana.
Por enquanto, porém, não há previsão de reunião bilateral entre os presidentes nos dois principais compromissos internacionais deste mês, a COP31, na Turquia, e cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), nas Filipinas.
Por outro lado, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o chanceler do Brasil, Mauro Vieira, vão se reunir durante a ida dos dois para a cúpula dos chanceleres do G7, marcada segunda (9) e terça (10) em Paris.
Dentro do Planalto, há a leitura de que a vitória democrata também representa um enfraquecimento das conexões bolsonaristas nos EUA, dado o esvaziamento de aliados republicanos no Congresso.
Os democratas conquistaram uma maioria no Senado e na Câmara. Trump reagiu ao resultado dizendo que o Partido Republicano, que está quase totalmente sob o seu comando, perdeu porque ele próprio não estava na cédula.
“Eu não estava lá, e por causa disso, não conseguimos fazer as pessoas saírem para votar”, disse ao New York Times. Seu vice-presidente, J. D. Vance, tentou se distanciar do chefe e mencionou a guerra no Irã como o principal motivo para a derrota histórica.
Também é observado dentro do governo Lula um maior espaço político para a retomada de investigações contra brasileiros nos EUA, como Alexandre Ramagem. O ex-diretor da Abin foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por participação na trama golpista. Ele deixou o Brasil em setembro de 2025, antes de começar a cumprir a pena, e passou a viver nos Estados Unidos.
Apesar disso, aliados petistas observam que a vitória democrata não deve promover reversões a curto prazo nas situações de Flávio Bolsonaro (PL), Eduardo Bolsonaro e de foragidos do 8 de Janeiro.
Na leitura de um diplomata brasileiro, mudanças no status desses nomes só devem sofrer algum risco maior caso o Partido Democrata também conquiste o Poder Executivo dos EUA em 2028.
Com Trump enfraquecido, o governo brasileiro não teme novas ofensivas americanas contra o Brasil, como no âmbito do tarifaço. A leitura é de que a negociação chegou a um ponto de acomodação.










