Presidente do Missão na Bahia defende ‘banho de sangue’ em favelas de Salvador

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Presidente do Missão na Bahia defende ‘banho de sangue’ em favelas de Salvador

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JOÃO PEDRO PITOMBO
FOLHAPRESS

O presidente do Missão na Bahia, David Pirajá, defendeu neste domingo (28) que sejam realizadas chacinas em favelas de Salvador.

A declaração foi dada em um ato de campanha na capital baiana com a presença do candidato a presidente, Renan Santos, (Missão). O comício aconteceu em frente à reitoria da UFBA (Universidade Federal da Bahia).

“A cidade cheia de favela, tomada pelo crime. Somente nós aqui, que estamos na UFBA, presentes hoje, falamos: tem que ter uma chacina no Bairro da Paz, tem de ter uma chacina [na comunidade] Planeta dos Macacos. A gente tem de entrar nessas favelas e fazer um banho de sangue com todo mundo do Comando Vermelho. Salvador é nossa”, afirmou.

Procurado pela Folha de S.Paulo, David Pirajá afirmou que a declaração fazia referência à morte de traficantes. Em um vídeo, Renan Santos saiu em defesa do aliado e endossou a fala, argumentando que ela representa uma postura de confronto direto com as facções criminosas que atuam no estado.

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“Nós faremos uma ação implacável nesses bairros contra os membros das facções criminosas. Vamos passar a rapa neles. Estão achando o quê? Que eu vou levar flores para traficante que transforma a vida das pessoas num inferno? Quem quiser me processar, venha direto em mim. Se puxarem arma e reagirem à polícia, a resposta será letal”, afirmou.

A declaração gerou reações de entidades da sociedade civil. Em nota, a Associação Bahiana de Imprensa manifestou repúdio às declarações do dirigente partidário.

“É absolutamente inaceitável que uma liderança política utilize o espaço público para pregar o extermínio de populações periféricas e a barbárie institucionalizada sob o pretexto de combater a criminalidade”, afirmou.

A entidade defendeu que o caso seja investigado pelo Ministério Público da Bahia, destacando que a incitação à violência e a apologia a chacinas são crimes previstos no Código Penal e violam a Constituição Federal e tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Políticos adversários também repudiaram a declaração do dirigente do Missão. O ex-governador e candidato ao Senado Rui Costa (PT) classificou a declaração como “um absurdo completo” que teria partido de “gente desqualificada”.

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A Bahia é o estado brasileiro com maior número absoluto de mortes decorrentes de intervenção da polícia. Entre janeiro e agosto de 2026, foram 940 pessoas mortas em ações policiais.

O ato do Missão na Bahia foi marcado por tumultos e polêmicas. No final da tarde, antes da chegada de Renan Santos, militantes do Missão e bolsonaristas trocaram socos em frente à reitoria da UFBA.

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