Menos de 1 em cada 6 ingressantes em licenciaturas está em grupo com melhores notas do Enem

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Menos de 1 em cada 6 ingressantes em licenciaturas está em grupo com melhores notas do Enem

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BRUNO LUCCA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Menos de 1 em cada 6 ingressantes em cursos de licenciatura, de formação de professores, estava entre a parcela de 20% de melhor desempenho no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2024.

A proporção, de 14,7%, é menos da metade da observada entre os alunos de direito, de 32,6%, e fica muito distante dos 81,2% registrados em medicina, por exemplo.

Os dados fazem parte da 13ª edição do Anuário Brasileiro da Educação Básica, lançada nesta terça-feira (22). A publicação é elaborada por Todos Pela Educação, Fundação Santillana e Editora Moderna.

As informações foram produzidas a partir dos microdados do Enem e do Censo da Educação Superior disponibilizados na sala de segurança do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão ligado ao Ministério da Educação. A extração foi feita em março de 2026.

As licenciaturas são os cursos superiores destinados à formação de professores da educação básica. Para os responsáveis pelo levantamento, os números mostram a dificuldade da carreira docente para atrair estudantes com desempenho acadêmico mais alto.

A diferença entre os cursos fica mais clara quando os percentuais são transformados em uma comparação simples: enquanto aproximadamente 8 em cada 10 ingressantes de medicina estavam no grupo de melhor desempenho, entre os estudantes das licenciaturas eram menos de 2 em cada 10.

O levantamento também mostra que a baixa participação dos alunos com notas mais altas não é uma oscilação restrita ao último ano. Em 2018, 23,9% dos ingressantes nas licenciaturas pertenciam ao grupo de melhor desempenho. O percentual passou para 22% em 2019 e 22,7% em 2020.

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A queda se acentuou a partir de então. A proporção recuou para 19,6% em 2021, 14,2% em 2022 e 14% em 2023, o menor resultado da série. Houve uma pequena recuperação em 2024, para 14,7%, mas o índice permaneceu 9,2 pontos percentuais abaixo do registrado em 2018.

Direito e medicina também tiveram redução na presença dos alunos com as maiores notas, mas continuaram em patamares superiores. Em direito, a proporção caiu de 37,9%, em 2018, para 32,6%, em 2024. Em medicina, passou de 95% para 81,2% no mesmo período.

Para construir o indicador, os pesquisadores ordenaram as notas consideradas no estudo, da menor para a maior, e dividiram os resultados em cinco grupos de tamanho aproximadamente igual, chamados de quintis.

O primeiro quintil reúne os 20% com as menores notas. O quinto, usado na comparação, corresponde aos 20% de melhor desempenho. Em seguida, o levantamento identificou como os ingressantes de cada grupo de cursos estavam distribuídos entre essas faixas.

O indicador considera os alunos que ingressaram no ensino superior e tinham nota do Enem classificada. Portanto, não inclui necessariamente todos os estudantes matriculados nas graduações analisadas.

Para Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, o país ainda não conseguiu estruturar políticas capazes de atrair estudantes de alto desempenho, oferecer formação inicial adequada e manter bons profissionais na carreira.

O diagnóstico se soma a outros sinais de envelhecimento e baixa renovação do magistério. O número de professores do ensino médio com até 24 anos caiu 31,1% entre 2015 e 2025, enquanto o contingente de docentes com mais de 60 anos mais que dobrou no período.

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Problemas continuam durante a formação

O anuário também aponta que, em 2025, apenas 20,2% dos concluintes das licenciaturas avaliados pelo Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), que mede o conhecimento de estudantes ao final da graduação, e pela PND (Prova Nacional Docente), usada em concursos públicos, atingiram o nível considerado adequado. Outros 42,2% ficaram abaixo do básico.

A diferença entre as modalidades de ensino foi expressiva. Entre os concluintes de cursos a distância (EAD), 53,1% ficaram abaixo do nível básico, ante 26,1% entre os formados em cursos presenciais. A primeira edição da PND revelou dificuldades de desempenho entre professores e concluintes das licenciaturas.

A formação a distância ocupa espaço central nesse debate. Em pedagogia, maior graduação voltada à docência no país, 83% das matrículas estavam em cursos remotos em 2024. As regras sobre a carga presencial exigida para formar professores têm sido alvo de debate entre especialistas, instituições de ensino e governo.

Também houve avanço na escolaridade do quadro docente. A parcela de professores da educação básica sem curso superior caiu de 23,6%, em 2015, para 12,3%, em 2025. O anuário destaca, entretanto, que 1 em cada 3 docentes com diploma leciona fora de sua área de formação no ensino médio.

Segundo a publicação, professores graduados da rede pública recebiam, em média, o equivalente a 85% do rendimento de outros trabalhadores com ensino superior.

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